quinta-feira, 16 de maio de 2013

“O partido está traindo a sua história”

A bancada do PDT na Alerj – composta por sete deputados estaduais – poderá ficar menor. Paulo Ramos, no partido desde 1988, responde a processo no Conselho de Ética da legenda por expor publicamente divergências com a posição da sigla no Estado do Rio e corre o risco de expulsão. O parlamentar considera que o PDT virou um “balcão de negócios”. Está sendo ainda cortejado por outras legendas, entre elas, o PT.
“Estou sendo acusado de difamar o partido e que ele se contradiz hoje com a sua tradição trabalhista. A legenda faz conchavos e hoje apoia o Governo Sérgio Cabral, tendo duas secretarias, a de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca (com Felipe Peixoto) e Defesa do Consumidor (Cidinha Campos). Se eu for expulso, não recorrerei. Lamento tudo o que está acontecendo. O ex-governador Leonel Brizola (fundador da sigla e falecido em 2004) deve estar se revolvendo no túmulo. O partido traiu a sua história. Defendo a renúncia do presidente nacional e regional do PDT, Carlos Lupi e de toda a diretoria do diretório fluminense”, criticou Ramos, que ainda não decidiu para onde irá, caso seja expulso. “Muitos militantes estão descontentes e sairão comigo”, acrescentou.
O vice-presidente estadual do partido, José Bonifácio Novellino, contou que o parlamentar está respondendo ao Conselho de Ética há pouco mais de um ano e que as penalidades previstas são a advertência pública, suspensão e expulsão. “Há mais de um ano ele fez um pronunciamento na Alerj criticando a posição do PDT no estado e me acusou de articulando junto aos diretórios para que nós apoiássemos o governo. Não é verdade. Viajei pelo interior para divulgar as datas das convenções municipais e acompanhar a formação de chapas. Não comprei ninguém. O apoio ao governador foi decidido em 2010 pela maior parte dos 130 integrantes do diretório regional e apenas Ramos e mais cinco foram contra. Ao invés de respeitar a decisão da maioria, expõe publicamente as divergências internas. Decidimos integrar a administração estadual só a partir de 2011. Cabral não comprou ninguém. O deputado está tendo ampla defesa. Já foi convocado algumas vezes e não compareceu”, explicou o dirigente.
Novellino contou que a legislação permite que, caso Ramos saia do partido, o partido peça a devolução de seu mandato. “Caberá ao diretório decidir sobre isso, se ele for expulso. Porém, quando Wagner Montes, Myriam Rios e Marcos Soares (que foram para o PSD em 2011) saíram, nós pedimos o mandato de volta. O processo corre no Tribunal Superior Eleitoral”, lembrou.

REPRODUÇÃO " A TRIBUNA "

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