terça-feira, 16 de abril de 2013

TRATANDO A POPULAÇÃO COMO SE FOSSE GADO


Temos visto o que vem acontecendo com as barcas, o que com os trens urbanos e com o metrô, demonstrando claramente que o discurso dos liberais, quando da privatização, era falacioso. O que eles pretendiam era abocanhar concessões públicas com uma preocupação exclusiva para com o lucro. O que eles querem é ganhar dinheiro em detrimento daquilo de que a população mais necessita, um transporte de massa, um transporte público decente.
A cada dia vai ficando mais evidente que há outro setor do transporte, que não é o transporte de massa, que vem assumindo o transporte da população, mesmo congestionando o trânsito. Estou me referindo à Fetranspor, aos empresários de ônibus porque são eles os grandes aliados de um modelo que suplicia a população.
Já há, registros de que há trabalhadores que permanecem no transporte, indo para o trabalho e voltando para casa, quase um tempo igual a própria jornada de trabalho, como diz a música do Zé Ramalho: “Foi um tempo de aflição: era quatro condução, duas pra ir, duas pra voltar”. Agora não sabemos quantas porque as disponibilizadas, a começar pelo transporte coletivo, por ônibus, têm representado uma tragédia para a população, não apenas em face do tempo mas também dos desastres, com vítimas.
O transporte coletivo, o transporte por ônibus vem assumindo uma proporção indecente, que precisa ser denunciada porque, não dispondo de transporte de massa, não dispondo de um sistema de ônibus eficiente, uma parcela da população foi optando pelo chamado transporte alternativo, vans e outros veículos menores. A população vem optando porque é um transporte mais ágil, mais confortável que, sem dúvida alguma, oferece um melhor serviço à população.
Depois da Fetranspor ter aparelhado o Detro – que é o órgão fiscalizador – agora o transporte alternativo vem sendo completamente aniquilado. Completamente! Eu ainda não conheço as razões que levaram o prefeito do Rio de Janeiro a proibir – sem um estudo prévio – a circulação de vans pelos bairros da Zona Sul, acabando não só com postos de trabalho, mas acarretando um sofrimento muito maior à população que usa o transporte alternativo e que passa por linhas pela Zona Sul. Como suspender o serviço?
E aí, vem uma confissão que, para mim, é muito preocupante: já está nos jornais de hoje que o chefe do Poder Executivo municipal pretende incorporar ônibus, substituindo as vans. Aliás, perversamente, os empresários de ônibus ainda dizem que nas empresas as vagas estarão abertas para os trabalhadores do transporte alternativo.
Ora, é um monopólio, pois os empresários de ônibus agem no Estado do Rio de Janeiro como agiam os banqueiros do Jogo do Bicho: as áreas são divididas. Na verdade, trata-se de um monopólio conduzido por um grupo empresarial que se organizou para ganhar dinheiro. Num modelo capitalista – mesmo sendo uma concessão pública – seria justo, razoável. Mas estão desgraçando a vida da população!
Venho a esta tribuna, primeiro, para imaginar que a decisão tenha partido de um equívoco e que pode ser reformulada; que pode o prefeito recuar de sua decisão, para que um estudo mais aprofundado seja feito, para que os postos de trabalho não sejam perdidos e para que parcela expressiva da população, que usa o transporte alternativo e que trafega pela Zona Sul, não venha a ser prejudica. Ainda, que ele demonstre claramente que não tem qualquer aliança com um setor empresarial, que já demonstrou que não tem qualquer escrúpulo e que não respeita os trabalhadores, obrigando-os às jornadas escorchantes e que colocam o motorista, sem o auxiliar, fazendo também outros serviços.
Quer dizer, um setor empresarial insensível e que está acostumado a tratar a população como se fosse gado.

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