terça-feira, 26 de março de 2013

O PDT se distancia da sua verdadeira razão de ser




Venho a esta tribuna, mais uma vez e lamentavelmente, para denunciar os dirigentes do meu próprio partido, o PDT.
Na última sexta-feira, através da presidência do  Carlos Lupi, tendo como secretário-geral do PDT o  Manoel Dias, atual Ministro do Trabalho, foi perpetrado mais um golpe para a eternização de uma direção partidária que vem aniquilando o partido, que deveria ser de Leonel de Moura Brizola.
O PDT foi transformado numa legenda de aluguel, num cartório, num balcão de negócios. Eu poderia, citar inúmeras irregularidades e ilegalidades, porque a direção partidária convocou, açodadamente, deferindo um prazo pequeno, uma convenção.
Fez exigências, no pequeno período deferido, de impossível cumprimento. Como alguém pode organizar uma chapa com mais de 400 membros sem conhecimento de nome e telefone dos membros mais privilegiados ou mais prioritários para inclusão na chapa, e ainda, para recolher a assinatura, o expresso consentimento para incluir na chapa? Não vou nem considerar o local da convenção: Luziânia, a 50 quilômetros de Brasília; nem que a direção, numa atitude imoral e abjeta, só disponibilizou passagens e hospedagens para os seus conluiados.
Mas aí, antes da convenção, de 9 às 10 horas, foi realizada a última reunião do diretório regional, porque logo depois, das 10 às 14 horas, seria eleito um novo diretor. Com certeza absoluta, não havia quórum. O presidente do PDT, Carlos Lupi, permitiu a presença no auditório de muitos membros da Juventude do PDT, do Movimento de Mulheres, de convidados e realizou a votação para que o diretório aprovasse as imoralidades, as obscenidades impostas pela comissão executiva.
E aí,  quando foi solicitada, pelo menos, a separação, para que ficasse visto o quórum existente, o Carlos Lupi, de forma debochada, que, aliás, vem sendo a sua principal característica, não atendeu. E, mesmo depois de concluída a votação, não foi possível verificar a relação daqueles que assinaram a lista de presença. Tudo porque não havia quórum.
Para demonstrar o estágio lamentável em que se encontra o Partido Democrático Trabalhista, lembro que, compondo a mesa dos trabalhos, estavam algumas figuras que entendemos respeitáveis, como o Senador Acir Gurgacz, o Senador Cristóvão Buarque, o Senador Pedro Taques e o ex-Governador Ronaldo Lessa. Como e por que figuras respeitáveis como essas aceitam a situação de indigência política em que se encontra o PDT? Depois de muito meditar e de muito pesquisar, concluí: o silêncio reside no fato de cada um deles ser, praticamente, um dos donos do PDT nas respectivas unidades da Federação. O PDT se transformou num partido de donos.
E aí a afirmação é óbvia: “Desde que eu faça, aqui no meu Estado, o que quero com o partido, eu apoio os dirigentes atuais”. Não há a participação da militância. O PDT há muito não participa das lutas populares, não está inserido nos movimentos sociais. Há muito que o PDT se distancia da sua verdadeira razão de ser.
Então, que eles continuem dando o golpe, mas que saibam que haverá sempre, pelo menos desta tribuna, uma denúncia veemente, a de que eles permanecem na direção do partido, aniquilando o partido, usando de forma desconhecida o fundo partidário, dinheiro público; a de que eles fazem acordos políticos em troca de cargos, como acontece aqui, no Estado do Rio de Janeiro, quando o PDT apoia, sem qualquer razão, o Governo Sérgio Cabral, um governo que não guarda qualquer ligação com a trajetória do partido. Não é possível encontrar no Governo Sérgio Cabral uma política pública que se compatibilize com os compromissos ideológicos e com os compromissos programáticos do PDT. Mas o PDT tem duas secretarias, ocupa vários cargos no governo, tendo se transformado num partido fisiológico: troca de cargos, troca de benesses, e a causa partidária, às favas.

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