quinta-feira, 7 de março de 2013

DESABAMENTO NA 13 DE MAIO E O INCÊNDIO NO LEBLON


Há um ano e pouco, dois prédios caíram na Av. Treze de Maio, no centro do Rio de Janeiro e houve a comprovação de que a estrutura do prédio tinha sido alterada. O acidente aconteceu exatamente pela fragilização das estruturas, as obras feitas. E aí o Ministério Público, dentro os denunciados, inclui os pedreiros. Os pedreiros foram incluídos como criminosos, os trabalhadores, aqueles que estavam ali meramente cumprindo com suas tarefas do dia a dia.
O Juiz da Vara Criminal não aceitou, não acolheu a denúncia do Ministério Público e o Ministério Público recorreu, para que os pedreiros sejam processados pela prática de crimes porque mexeram, fizeram a obra, cumprindo, naturalmente, a ordem de um engenheiro que determinou, do dono da empresa que cuidava.

Houve um incêndio num prédio no Leblon, vitimando pessoas. Mas, comprovadamente, o hidrante não tinha água, o Corpo de Bombeiros não tinha escada Magirus e aí, surpreendentemente, os jornais noticiam que existe a possibilidade de serem denunciados, por homicídio culposo, os bombeiros que estavam lá para o atendimento daquela ocorrência - houve morosidade no atendimento. Como se aquele que está dentro do quartel, da unidade do Corpo de Bombeiros, atento, aguardando o momento para sair de sua unidade para atender as ocorrências, ele próprio tenha deixado de agir com a velocidade necessária. É muito duro, isto!
  
Estamos tratando de uma questão que alcança a imagem do Corpo de Bombeiros. Querem responsabilizar criminalmente os bombeiros que atenderam à ocorrência; portanto, não estão alcançando o Corpo de Bombeiros como pessoa jurídica, como corporação. Querem alcançar, em um processo criminal, os sofridos bombeiros mal remunerados, os bombeiros que reivindicam melhores condições de vida e são perseguidos. Para o Desembargador e sua esposa, entre morrer queimados e morrer pelo impacto no solo, a opção trágica foi pular do prédio. Agora, atribuir culpa aos bombeiros que atenderam à ocorrência, alegando falta de prestimosidade, chega a ser um excesso igual à tentativa de responsabilizar os pedreiros pela queda do prédio na rua 13 de Maio. 
Venho a esta tribuna para solicitar que o nosso Ministério Público, através de seus promotores, analise com muito cuidado situações que obviamente não vão ter consequências nas varas criminais mas que seguramente deixam mal a imagem do Ministério Público.
Deixo aqui a minha solidariedade aos Bombeiros Militares que atenderam àquela ocorrência e a certeza de que eles, com os meios disponibilizados, fizeram o melhor para salvar vidas e para salvar o patrimônio.


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