terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O substituto do Coronel Seabra pode olhar para ele e dizer “eu sou você amanhã”



O Governo do Estado com sua política de Segurança Pública tem proclamado o êxito das Unidades de Polícia Pacificadora. Tenho, ao longo desse período, feito críticas à política de segurança pública dizendo que as Unidades de Polícia Pacificadora são  nada mais que um DPO ampliado. Tudo o que acontece no Estado do Rio de Janeiro de negativo na área de Segurança Pública, o Governo sempre atribui ao sucesso das Unidades de Polícia Pacificadora. Vou dar um exemplo. A criminalidade cresce, por exemplo, no Município de São Gonçalo ou de Niterói. O Governo prega nos meios de comunicação que tudo decorre da fuga de bandidos, que deixaram as áreas onde são instaladas as Unidades de Polícia Pacificadora e vão praticar crimes nesses locais. Mas, quando se olha o efetivo do 7º Batalhão em São Gonçalo e do 12º batalhão em Niterói, constata-se que o efetivo foi muito reduzido, porque há necessidade de dotar as chamadas Unidades de Polícia Pacificadora de um efetivo cada vez maior. Mas o sucesso vai sendo contestado pelos fatos ao longo do tempo. Os conflitos vão acontecendo, os confrontos; as comunidades reagindo, porque é claro que os policiais militares nas Unidades de Polícia Pacificadora enfrentam reações e também reagem. Mas o sucesso é proclamado, não obstante a morte de policiais, o ferimento de policiais e a morte também de moradores, que são sempre adjetivados como sendo traficantes de entorpecentes.


É claro que as Unidades de Polícia Pacificadora fazem o policiamento ostensivo normal. As operações policiais são realizadas ou pelo BOPE ou pelo seu correspondente na Polícia Civil, a CORE. Porém os conflitos já resultaram em dois policiais mortos no mês de dezembro, no Complexo do Alemão. O Governo vem e substitui o comandante das Unidades de Polícia Pacificadora, Coronel Seabra. Eu tenho visto e acompanhado, ou vinha acompanhando, o trabalho realizado pelo Coronel Seabra e as entrevistas por ele dadas. Sendo um profissional competente, tinha uma interlocução muito grande com a sociedade, sempre para a proclamação do êxito das Unidades de Polícia Pacificadora. Mas, quando da substituição, atribuem a quem comandava tudo o que é visto como fracasso. O Governo, quando a situação vai ficando insustentável, sempre dispõe de alguém a ser caracterizado como o bode expiatório: para expiar o reconhecido fracasso do Governo. O substituto pode olhar para o Coronel Seabra e dizer “eu sou você amanhã”, porque os conflitos vão se acentuando a cada dia; a população, de alguma forma, reagindo; os policiais cumprindo com os seus respectivos deveres, mas sempre, também, em situação de risco, o que exige, às vezes, uma reação violenta. Então, Sr. Presidente, venho a esta tribuna, primeiro, para manifestar a minha solidariedade ao Coronel Seabra. Não pelo alegado êxito das Unidades de Polícia Pacificadora, não por isso, mas pelo fato de ele ter sido o instrumento do qual o Governo Sérgio Cabral se apropriou para afirmar o êxito da política que agora, diante dos eventuais fracassos, os fracassos são a ele atribuídos.


Então, a minha solidariedade ao Coronel Seabra, desejando que o novo Comandante possa alcançar pelo menos o êxito esperado pela Polícia Militar, mas o êxito esperado principalmente pelas comunidades onde essa política de segurança pública vem sendo implementada. Obviamente, eu continuo sem acreditar no êxito, sem acreditar, porque no fundo, no fundo, é a exclusão de uma parcela da sociedade, a criminalização e a repressão. Essa é a sequência, são excluídos, são criminalizados e são reprimidos, mesmo que de forma disfarçada. Então, a minha solidariedade ao Coronel Seabra e o desejo de muito êxito ao novo Comandante.

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