terça-feira, 6 de novembro de 2012

Por que os números de policiais mortos não são divulgados no Rio de Janeiro?



Estamos acompanhando com muita atenção o que vem acontecendo no Estado de São Paulo, sobre a questão ligada à segurança pública. Segundo o noticiário, os policiais militares, principalmente, estão sendo vítimas; estão sendo caçados pelos marginais e estão sendo mortos. Passando, inclusive, os integrantes da Polícia Militar daquele Estado, por uma situação de muita insegurança, como também os seus familiares. Eles chegam a dizer que estão até impossibilitados da prestação de serviço em um segundo emprego, o chamado bico, para complementação salarial, porque eles não têm mais a necessária segurança.
Chegou-me a informação de que no ano de 2012 já foram assassinados 90 policiais militares. E aí eu fico com a seguinte indagação: se em São Paulo, agora, divulgam o que está acontecendo, por que em relação ao Estado do Rio de Janeiro não há a mesma divulgação? Aqui desta tribuna, em várias oportunidades, denunciei que desde o Governo Marcello Alencar, passando pelo período Garotinho e Benedita; passando pelo período Rosinha Garotinho; passando o primeiro Governo Sérgio Cabral, eu afirmei e tenho certeza, que no Estado do Rio de Janeiro, em todos esses anos, foram assassinados aproximadamente 150 policiais. Em ato de serviço ou em decorrência do simples fato de serem policiais.
A denúncia de que policiais militares já não andavam mais fardados caiu no vazio; a denúncia, vinda até de familiares, de que não poderiam mais estender a roupa lavada nos quintais para que não houvesse a identificação de que ali morava um policial militar, também. E mais: os policiais militares, e aí no caso também, os policiais civis, não podiam mais portar a carteira de identidade, aliás, levavam-na e continuam levando dentro do sapato. Porque em qualquer situação, se identificado fosse o policial, ele seria assassinado.
A insegurança hoje vivida pelos policiais militares de São Paulo já é experimentada no Rio de Janeiro há muito tempo. Há muito tempo! O número de policiais mortos no Estado do Rio de Janeiro, mesmo em 2012, é maior do que o número de policiais assassinados em São Paulo. E falo, Sr. Presidente, em números absolutos, porque a Polícia Militar do Estado de São Paulo tem o efetivo maior do que o dobro da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. No Estado de São Paulo são 93.986 PMs, quase 94 mil; no Estado do Rio de Janeiro, aproximadamente, 43.500 policiais.
Se, em um Estado com o efetivo menor do que a metade, o número de mortos é maior, como podemos acreditar que a insegurança dos policiais lá seja maior do que a insegurança aqui?
Quando falo nos mortos, estou deixando de falar nos paraplégicos, nos tetraplégicos, nos amputados. Tive a oportunidade de dizer aqui que o Hospital Central da Polícia Militar já estava sendo identificado como especializado em ferimentos de guerra.
Qual o mistério? Em São Paulo, uma denominada organização criminosa, o PCC, distribuiu um documento dizendo: “Para cada um bandido (entre aspas) morto, três policiais militares deveriam ser mortos.” Vejam, a mensagem que passa deveria ser interpretada da seguinte maneira: que a Polícia em São Paulo, ao invés de prender, estava matando, afirmando a sua autoridade matando; como conseqüência passou também a morrer, a ver seus integrantes serem mortos.
Desta tribuna, denunciando a realidade do Rio de Janeiro, cheguei a dizer que a polícia do Rio era identificada como a que mais matava, mas ninguém dizia que, em contrapartida, também era aquela que mais morria - mais morriam integrantes. Cheguei a dizer que o número de policiais mortos no Rio de Janeiro era superior à soma dos policiais mortos em todo o país.
Mas por que, em relação ao Estado do Rio de Janeiro, a verdade fica abafada? Por que o Instituto de Segurança Pública não demonstra o número, quantos policiais foram mortos no ano de 2012? Eles dizem assim: “Mas não foi em ato de serviço”. Eles entendem que a morte só deve ser considerada como conseqüência do modelo repressivo e de extermínio incorporado à Segurança Pública. O projeto político da Segurança Pública inclui o extermínio até de suspeitos – até de suspeitos! Em contrapartida, a vingança vem.
Tenho um Requerimento de Informação encaminhado há algum tempo, para saber somente no Governo Cabral quantos policiais civis e militares, ano a ano, foram mortos no Rio de Janeiro; quantos ficaram paraplégicos; quantos ficaram tetraplégicos, quantos ficaram amputados; os que ficaram incapazes definitivamente; que perderam o pulmão, que perderão órgãos quase que vitais - em ato de serviço ou em qualquer outra situação.
Por que os números não são divulgados? Eles poderiam dizer como fazem. Isso está acontecendo porque decorre do acerto das Unidades de Polícia Pacificadora. Porque tudo que é insucesso eles atribuem ao sucesso da UPP. A criminalidade aumenta em Niterói, eles estão reduzindo o efetivo; é o sucesso da UPP. A criminalidade aumenta na Baixada Fluminense ou no interior do Estado é em função das Unidades de Polícia Pacificadora, na ocupação de territórios que antes eram controlados pelos criminosos, a bandidagem fugiu – é o sucesso da UPP. Tudo é sucesso da UPP, tudo é sucesso da UPP! Lá em São Paulo vai atribuir a que essa conseqüência? Ônibus incendiados? O que mais a população do Rio de Janeiro vê são ônibus incendiados, mas, lá em São Paulo, comparece o Ministro da Justiça para se reunir com o Governador para traçar os rumos. E aqui no Estado do Rio de Janeiro, onde tudo que está acontecendo em São Paulo acontece, numa proporção muito maior. Será que isso tem haver com os gastos do Governo em publicidade? Será que existe um acórdão para ocultar da opinião pública a tragédia vivida em decorrência da insegurança pública? A tragédia de balas perdidas e achadas, a tragédia da morte de quem mora nas chamadas comunidades, mas também a tragédia vivida pela família policial, que vive no temor, muitos sendo assassinados.
Nós aqui, recebemos jornais de outros municípios, e nós temos a possibilidade de acompanhar o número grande de policiais que são assassinados. E a publicação não sai nos jornais que mais circulam na Capital ou, pelo menos, na Região Metropolitana.
Então, venho a esta tribuna para dizer, primeiro, que o que está acontecendo em São Paulo já acontece no Rio de Janeiro há muito tempo, mas para fazer um desafio, que o Instituto da Segurança Pública apresente, que apresentar os policiais que têm auto de resistência, que são acusados disso ou daquilo, eles fazem, aliás, até com a participação do Governo, que tenta se apresentar como disciplinador, controlador, mas o Governo estimula o confronto. A política de Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro está fundamentada na eliminação do inimigo, adredemente selecionado, isto é, o morador de favela. Mas os policiais, principalmente os policiais militares, também inspetores penitenciários. Quantos diretores de presídio foram assassinados, no Rio de Janeiro? Quantos inspetores penitenciários foram assassinados? Então, que o Instituto de Segurança Pública divulgue esses números e, aí sim, vamos ter a oportunidade de comparar a realidade verificada em São Paulo, que é de insegurança, mas que, na realidade, vivida pela população do Estado do Rio de Janeiro, que é de muita insegurança, inclusive, a insegurança vivida pelos profissionais da área, que são os policiais civis e militares e os inspetores penitenciários. Que a verdade venha à tona para que a população possa julgar.

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