sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mais um escandâlo: Os secretários Wilson Carlos e Sérgio Dias viajam para o Caribe sob o patrocínio da Cowan

Quero  manifestar o meu inconformismo com um fato que está denunciado praticamente em todos os jornais, que envolve algumas autoridades públicas. Há pouco tempo, a tragédia ocorrida lá na Bahia, em Trancoso, revelou a promiscuidade do Governador Sérgio Cabral com o esquema da Delta, do Fernando Cavendish e do Carlinhos Cachoeira. Há uma CPI, no Congresso Nacional, a CPI do Carlinhos Cachoeira.
Aquele episódio trouxe também à tona a orgia em Paris. Esta com a presença do Governador, vários dos seus Secretários – o Secretário de Saúde, Sérgio Côrtes; o Secretário de Governo, Wilson Carlos, as respectivas esposas. Todos obviamente patrocinados pelo Sr. Fernando Cavendish, da Delta, que lá também se encontrava.
O escândalo alcançou tamanha proporção, revoltando a população, que, sem qualquer cerimônia, o Governador do Estado enviou a esta Casa o chamado Código da Ética Pública, sob a alegação de que aquele procedimento indecoroso não poderia ser criticado porque não havia nenhum respaldo para que as denúncias tivessem consequência. Isto é, a promiscuidade do Governo com o dono de uma empreiteira que recebia carradas de recursos públicos para a realização de obras rotineiramente superfaturadas.
Entendeu o Governador, que só seria reprovável o procedimento a partir da criação da norma, e a norma foi criada. E criou-se também a Comissão para julgar os desvios de conduta da alta esfera, daqueles que ocupam os altos cargos na Administração Pública. E o pior: a composição da Comissão já atesta a impossibilidade de qualquer desvio de conduta ser penalizado.
Agora, mais uma vez, e aí alcançando o Secretário de Estado Wilson Carlos viaja para o Caribe sob o patrocínio da Cowan, uma empreiteira, uma prestadora de serviços. Ao responder o Governador do Estado diz que a Cowan não tem qualquer contrato com a administração estadual.
E aí, especialmente o jornal O Globo demonstra que não só tem, como vem recebendo recursos do Estado, além de ter assumido a questão do tratamento do esgoto em toda a Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro. Isto é, há a participação da administração municipal, mas o Governo do Estado não pode dizer que não tem um relacionamento com a própria Cowan. Porque também nesse périplo participava o Secretário Municipal de Urbanismo Sérgio Dias.
Em face, de mais esse escândalo, encaminhei uma representação ao Ministério Público. Para que o fiscal da lei possa analisar com base nas denúncias quais os procedimentos que são os necessários para o restabelecimento de padrões razoáveis de moralidade nas relações entre aqueles que ocupam os altos cargos na administração e os donos das empreiteiras que fazem obras e prestam outros serviços ao Estado.
E também em relação ao Secretário Wilson Carlos encaminhei uma representação à Comissão da Ética Pública. Aliás, nem sei se ele próprio integra. De qualquer maneira, não é possível, não é razoável aceitar que aqueles que ocupam cargos de relevo na alta administração continuem impunemente sendo patrocinados nas suas orgias ou nas suas viagens, sejam patrocinados por empreiteiros ou por titulares de empresas com as quais a administração pública se relaciona e contrata. Às vezes até sem licitação.
Então, através da Comissão que cuida da ética pública na alta administração, em relação a esta não tenho, assim, nenhuma esperança, embora a tenha provocado. Que o Ministério Público, a partir das responsabilidades que têm, possa avaliar a representação que encaminhei em relação a algo que é notório e público, mas que alcançou uma dimensão maior a partir da publicação nos meios de comunicação. Que o Procurador-Geral de Justiça Dr. Cláudio Lopes possa ter a independência necessária para prover o Ministério Público de modo a responsabilizar aqueles que, ao contrário, ao invés de estarem servindo à sociedade, estão desmoralizando a própria administração pública.

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