terça-feira, 13 de novembro de 2012

Complexo do Maracanã - Os objetivos que o Governo pretende



Estive  na última quinta-feira, no Centro da Cidadania, na Gamboa, onde foi marcada uma audiência pública pelo Chefe do Poder Executivo para ouvir a comunidade em relação ao Projeto do Governo quanto ao complexo do Maracanã. Tal projeto, na verdade, não é apenas privatizar, mas entregar o complexo ao  Eike Batista, que já ganhou o 5º Distrito de São João da Barra, que está sendo abandonado pelos chineses porque estes não confiam mais no que foi contratado com este senhor e, com isso, desistiram da siderúrgica, que agora sequer encontra comprador – e a siderúrgica daqui, a CSA, vem desgraçando a vida da população, poluindo tudo.
Falo complexo do Maracanã porque, além do estádio de futebol, tem o estádio de atletismo Célio de Barros e o parque aquático Júlio Delamare, além da Escola Municipal Friedenreich. Tudo o que está sendo feito tem o objetivo de contemplar não o interesse da população do Rio de Janeiro, mas o interesse daqueles que serão os “futuros controladores”, entre aspas, do Maracanã. De quebra, vem o Museu do Índio, cuja instalação se presta ao Ministério da Agricultura para trabalhos de pesquisa e outras atividades.
 É óbvio que o Governo não está preocupado com o interesse da população. O Estado do Rio de Janeiro carece de instalações esportivas.
Em vez de acabar com o parque Célio de Barros e substituí-lo por outro, onde há as instalações do Exército, por que não o preservam e fazem outro parque, já que não temos espaços para a prática do atletismo no Estado? A mesma coisa ocorre com o Júlio Delamare: em vez de acabar com o parque, por que não construir outro, a fim de oferecer mais espaço para as competições esportivas em nosso Estado? E, de quebra, vem o Museu do Índio.
O Governo não pode insistir em chamar de audiência pública o que houve quinta-feira passada no Centro de Cidadania. Estavam lá a Deputada Janira Rocha, o Deputado Luiz Paulo, a Deputada Clarissa Garotinho, a Deputada Aspásia Camargo e eu.
Lá presenciamos, primeiramente, o atrevimento do Governo diante da reação popular. O povão, familiares dos alunos, alunos e atletas deram uma clara manifestação de rejeição às pretensões do Governo.
Obviamente, não houve clima para a realização de uma audiência pública. O Secretário Regis Fichtner deferiu a palavra para um ou outro, a fim de que houvesse manifestação de cada interessado. Atribuir ao que houve o cunho de audiência pública é algo que corrobora o atrevimento.
Aliás, a revolta da população foi muito grande. Houve agressões reiteradas. Na frente do Centro de Cidadania, havia todo um aparato de segurança, com diversas viaturas da Polícia Militar e um grande efetivo; no interior, vários integrantes da segurança do Governo do Estado, em trajes civis, tentavam reprimir a população de alguma forma.
É preciso dizer que, lamentavelmente, os jornais não reproduziram o que aconteceu no Centro de Cidadania. Alguns índios ou seus representantes, movidos pela justa revolta, diante de várias outras agressões, chegaram a jogar fezes no Secretário, que deve ter sido respingado, mas pegou em alguns seguranças. Alguém poderá dizer: “Isso é um desrespeito; é uma violência!”. Na verdade, ali estávamos diante da legítima defesa. As agressões foram muito grandes.
Pelo menos aquele episódio permitiu ao Governo conhecer a reação popular, mas não se pode atribuir àquilo o cunho de uma audiência pública formal, necessária à consecução dos objetivos que o Governo pretende alcançar.
Então, subscrevi com o Deputado Luiz Paulo e outros parlamentares, a representação ao Ministério Público. Simultaneamente, também assinei a iniciativa da Deputada Clarissa Garotinho de que seja feito um plebiscito para que a população se manifeste favorável ou contrariamente à privatização do Maracanã. Claro que, quando estamos falando Maracanã, estamos falando do Complexo, incluindo o Célio de Barros, o Júlio Delamare e a Escola que homenageia o Friedenreich, que deve permanecer no mesmo local.
Simultaneamente, há a questão do Museu do Índio. Ao invés de reformá-lo, o Governo deve dar condições para que ele cumpra seu objetivo. Mas, ao contrário: nesse rolo compressor, o Governador Sérgio Cabral incluiu também o Museu do Índio.
É lamentável que um ou outro parlamentar, inclusive os que têm vinculação com os desportistas do Estado, tentem demonstrar alternativas. Não existe alternativa. O que existe é uma violência inaceitável, pois o Estado vai destruir para entregar o Maracanã, vai destruir o entorno e simultaneamente vai gastar dinheiro construindo outros. Afinal de contas, o Estado é rico? Tem dinheiro à vontade? Não há outras prioridades? É para atender a quem? Se não atende ao interesse público, se não atende ao interesse dos esportes, se não atende ao interesse, de modo geral, de todos aqueles que respeitam o dinheiro público e que tem consciência do seu significado e das carências da população, atende a quem? Atende, obviamente, ao Governador e seus sócios, dentre eles, obviamente o Eike Batista.
Então, vamos dizer não, resistir e acreditar que aquela Audiência Pública não será considerada como realizada e vamos aprofundar o debate, aí sim, para mobilizar a população para que isso não venha a ocorrer e o Governo possa recuar de sua pretensão de entregar o Maracanã livre do parque aquático, pista de atletismo, Museu do Índio e o Colégio Friedenreich, livre de tudo para que o Eike Batista possa ali ter lucro e abusar de tudo aquilo que é mais caro para a população.
Muito obrigado.

Um comentário:

  1. Temos que fazer uma grande campanha no
    facebook para impedirmos este absurdo pois o complexo do maracanã é um orgulho do povo carioca. Ter vários esporte em um só lugar.
    Eu como carioca estou revoltada com este desrespeito com o Rio de Janeiro.
    Vamos mostrar a nossa indignação nas redes social!

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