quarta-feira, 26 de setembro de 2012

PCERJ, PMERJ E CBMERJ - informações assustadoras e preocupantes


Nesses três últimos dias, fui surpreendido com informações, que considero assustadoras e preocupantes, envolvendo policiais civis e militares e bombeiros militares. Conversando, no último sábado, com um policial civil, tomei conhecimento da incidência de suicídios na instituição responsável pela investigação criminal.
Ao tomar conhecimento da incidência de suicídios na nossa Polícia Civil, comentando com companheiros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, ouvi relatos de suicídios também nas duas instituições. Eu me preocupei em saber se, nesses casos, havia certa investigação ou apuração para que as instituições passassem a conhecer o estado psicológico ou as motivações que levaram o servidor a dar cabo da própria vida.
O resultado foi o mais triste: além da perda da vida, as instituições não apuram, não investigam, a família fica com a dor e com a pensão, mas não há nada feito pela Polícia Militar, pela Polícia Civil e pelo Corpo de Bombeiros para descobrir se a atividade profissional, as condições de vida e de trabalho - principalmente as condições de trabalho - estão levando os profissionais da Segurança Pública e da Defesa Civil ao suicídio.
Não são casos isolados e tem havido uma incidência que exige, pelo menos desta Casa, um posicionamento e o desenvolvimento de esforços para que o próprio Governo venha a ser esclarecido e alertado.

Ontem, recebi no meu gabinete familiar de um policial militar do serviço ativo que desapareceu. O carro do policial militar foi encontrado com muito sangue, com massa encefálica e dentes. O que me assustou foi, também, tomar conhecimento de que há outros policiais militares, policiais civis e bombeiros militares desaparecidos. Procurei saber, diante de tais casos, quais as providências.
No caso que me foi relatado pela pessoa que compareceu ao meu gabinete, o policial militar vai ser considerado desertor. Desertor! Não houve exame de DNA, não houve qualquer investigação mais aprofundada, pelo menos para saber se o sangue, a massa encefálica e os dentes encontrados dentro do automóvel pertenciam ao policial militar desaparecido.

Há um descaso, uma insensibilidade, um desprezo aos profissionais da Segurança Pública e da Defesa Civil que constatamos na falta de providências, no desejo de conhecer a verdade, o que levou - e aí vou unir os dois casos - tais servidores ao suicídio e se desaparecidos estão, se estão mortos, se estão sequestrados, se enlouqueceram ou se estão se ocultando por qualquer outra razão. Mas virar as costas, não manifestar interesse em conhecer a verdade, isto representa o maior atestado de que, para o Governo, os policiais civis e militares, os bombeiros militares são apenas números: menos um, menos dois, menos três.

Estou encaminhando um Requerimento ao Presidente da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia e ao Presidente da Comissão de Defesa Civil, para que possamos reunir aqui os Comandantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e a Chefe de Polícia. Queremos, pelo menos, uma relação nominal, dos suicidas e dos desaparecidos, e qual tratamento dispensado pela administração a cada um.
Porque imaginar que a lei impõe, desaparecido o policial militar durante dias, que ele passe a ser desertor. Soube que está até impedindo que a família receba a remuneração, os vencimentos. A família fica no sofrimento e na angústia, no caso do desaparecido. A situação do desaparecimento cria uma angústia muito maior do que a morte, quando o sepultamento é feito pela família. A situação de alguém desaparecido impõe um sofrimento agudo ao familiar, que não tem informação, não sabe se está vivo, se está morto.
Imagino que esta Casa, pelo menos, deva ser informada sobre quantos e quais policiais civis e militares se suicidaram, quantos e quais bombeiros militares se suicidaram, quantos estão desaparecidos e quais as providências tomadas. É o mínimo de satisfação devida aos familiares, aos integrantes das instituições e à sociedade de modo geral.
Venho a esta tribuna para pelo menos esperar que a advertência que daqui faço possa servir aos dirigentes das instituições, para que eles deem uma demonstração de que estão preocupados e dispostos a agir de acordo com suas responsabilidades, mas também de acordo com o respeito e a consideração devidos aos familiares dos que se matam e dos que são desaparecidos.
Muito obrigado.
Discurso - ALERJ -  dia 25/09

2 comentários:

  1. infelizmente!!!! perdemos amigos das formas mais descabidas e explicação é o que sempre falta pra família , que perde seu provedor e normalmente fica á deriva!!!quem será o próximo??????

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  2. que Deus nos ajude e nos dê paz de espírito para suportarmos todas as adversidades que temos que transpor durante nossa trajetória e que infelizmente alguns guerreiros não conseguem levá-la até o fim!!!

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