quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Transformaram o PDT num cartório, num banco de negócios, numa legenda de aluguel.

Texto do Discurso

Já ocupei a tribuna algumas vezes para falar do meu partido, o PDT. Já tive a oportunidade de denunciar que os dirigentes atuais liderados pelo ex-Ministro Carlos Lupi transformaram o PDT num cartório, num banco de negócios, numa legenda de aluguel. São dirigentes que não têm qualquer legitimidade para falar em nome do partido. Jogaram o PDT na lama. O partido hoje não tem a sua identidade preservada. Quando falo em identidade partidária preservada, falo nos compromissos ideológicos, no programa do PDT. E aqueles que se apresentam como dirigentes, sem qualquer legitimidade, são capazes de praticar inclusive atos ilícitos, falsificando assinaturas para a convalidação de convenções que, quando decidem, reiteram a preservação na direção do Partido dessas mesmas figuras. Aliás, por denunciar que o PDT foi transformado nessa orgia, nesse balcão de negócios, por fazê-lo alguns dirigentes, inclusive o Líder da bancada nesta Casa e uma Parlamentar que também integra a bancada, eles representaram contra mim na Comissão de Ética, na Comissão Nacional. Obviamente que respondi e, paralelamente, em face do acinte, dezenas de militantes pedetistas também ingressaram com uma representação contra eles no mesmo Conselho de Ética.

Mas agora, estamos vivenciando uma situação que eu não digo curiosa, mas chamo de cínica. A direção do partido, reitero, liderada pelo ex-Ministro Carlos Lupi, pelo ex-Deputado Carlos Correia, pelo ex-Deputado José Bonifácio, fez acordos, os mais espúrios, em muitos municípios do Estado do Rio de Janeiro. Mas, em alguns poucos municípios, o PDT se apresenta diante do eleitorado com candidatura própria. É claro que tenho críticas a algumas filiações, mas o PDT se apresenta com candidatura própria. Se, porventura, alguém como eu que não reconhece legitimidade na atual direção se opusesse às coligações feitas e se opusesse ao processo de escolha de algumas candidaturas próprias, ainda seria razoável. Mas a sordidez chegou a tal ponto que nós temos situações em que membros da direção, que eu considero espúria, deixam de apoiar em vários municípios o candidato próprio do PDT. Por exemplo, em Nova Iguaçu, temos a nossa companheiríssima Sheila Gama candidata a prefeita, que, agora à frente da Prefeitura que assumiu com a eleição do Senador Lindberg Farias, Sheila Gama ajustou, a duras penas, as contas públicas naquele Município, acumulou experiência e se apresenta como candidata, vamos dizer, à reeleição. Completou o mandato, está completando, do ex-Prefeito Senador Lindberg Farias e agora é candidata. E aí o líder da bancada do PDT com assento nesta Casa, Deputado Luiz Martins – que, podemos afirmar, integrava a assessoria da então Deputada Sheila Gama e foi praticamente alavancado por ela para alcançar uma vaga no Parlamento Estadual –, integrante que é dessa Executiva, por ser líder da bancada, não apoia, no município de Nova Iguaçu, a Prefeita Sheila Gama!

Não sei como pode alguém, que integra a direção do partido, por ser líder da bancada, apoiar, no município de Nova Iguaçu, uma candidatura diferente da candidatura própria do PDT. Será que o Deputado Luiz Martins terá que prestar contas junto a alguma comissão de ética, ou a esculhambação é tão grande no partido – o quadro é de tamanha degeneração –, que a direção que ele integra silencia diante disso, que já não é nem indisciplina partidária: é traição à própria origem?
Era preciso que o Deputado Luiz Martins prestasse esclarecimentos. Reitero que, se porventura, alguém como eu – que não reconhece legitimidade nesta direção, porque ela age de forma autoritária e abusiva, negociando a legenda até por três dinheiros – agisse distanciado de qualquer acordo feito por essa direção, ainda seria razoável acolher. Mas como o Deputado Luiz Martins – que integra a direção e é uma espécie de filho político da Prefeita Sheila Gama – se insurge e apoia, em Nova Iguaçu, o candidato de um outro partido?
Temos um outro caso: o do ex-Deputado Carlos Correia, vice-Prefeito em São João de Meriti. Era, naquele município, o Presidente do partido. Acolheu a filiação do irmão do Prefeito Sandro Mattos, que se elegeu Deputado Federal pelo PDT, e, agora – quando o Prefeito Sandro Mattos se filia ao PDT e é candidato à reeleição –, o dirigente do partido Carlos Correia, por ter perdido o controle do partido em seu município de origem, não apoia o candidato do PDT em seu município à reeleição.

Afinal de contas, tem que dar alguma explicação? É claro que tem! Ainda mais os que são signatários de uma representação contra mim no Conselho de Ética. Vamos encontrar no PDT, em vários municípios, quadros ou realidades políticas as mais esdrúxulas, demonstrando o esgarçamento de nossa legenda.
Sr. Presidente, além de tudo o que vem acontecendo, o ex-ministro Carlos Lupi ainda é Presidente nacional do PDT; é Presidente regional do PDT no Rio; e preside o PDT na capital. É uma espécie de “tríplice coroado”. É o dono da legenda. E tem como coadjuvantes – usarei outra expressão: “como cúmplices” – algumas figuras que se comportam de modo a não merecer nenhum respeito. Nenhum!
É por essa razão que, pelo menos, estamos insistindo junto ao Poder Judiciário, na tentativa de fazer prevalecer direitos consoantes àquilo que estabelece o nosso estatuto.

Quero enviar um abraço para o Dr. Agripino, nosso advogado, filiado ao PDT e militante do PDT. Agora vamos entrar com uma ação criminal contra a direção estadual, pela falsificação grosseira de atas e assinaturas para a construção de um colégio eleitoral destinado a convalidar uma convenção que foi completamente manipulada.
Venho à tribuna para cobrar uma explicação para esse ato de indisciplina, pelo menos do Deputado Luiz Martins, uma vez que ele integra essa direção partidária, na medida em que ele - integrando a executiva regional e sendo um filhote político da ex-Deputada Sheila Gama - se insurje contra a candidatura da sua patrocinadora no passado. Que os demais não deem explicações, considero até razoável e nem quero. Mas quem se dispõe a cobrar ética partidária de quem verdadeiramente se pauta pela ética, precisa dar uma explicação. 
PAULO RAMOS 

Um comentário:

  1. Deputado, como o Sr. se ve diante disso tudo? ainda vai resistir dentro do PDT? Ou vai pular o barco?

    ResponderExcluir