quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Vamos ao Ministério Público, a todas as instâncias, de modo a fazer com que criminosos não permaneçam na direção da legenda do PDT

Dias atrás ocupei esta tribuna para denunciar os atos desabonadores, e até criminosos, praticados pela direção do PDT, liderada pelo ex-Ministro Carlos Lupi, que na direção do partido transformou nossa legenda numa espécie de cartório, num balcão de negócios, numa legenda de aluguel.
É preciso dizer que dois Deputados aqui da nossa bancada integram a Executiva Regional do PDT – Deputado Luiz Martins, que é o líder da bancada, e a  Deputada Cidinha Campos. Não posso acreditar que eles tenham ciência dos desmandos. Não sei se eles participam das reuniões que deliberam. Acredito que não. Aliás, espero que não participem, espero que ajam manifestando confiança naqueles que, em última análise, dirigem os destinos da nossa legenda, porque Carlos Lupi preside o PDT nacional, preside o PDT no Estado do Rio de Janeiro e, abusivamente, assumiu também a presidência na capital, no município do Rio de Janeiro. Decide tudo sem consultar ninguém ou um pequeníssimo grupo. Então, imagino que desse pequeníssimo grupo, embora integrando a Executiva Regional, os parlamentares que citei não tenham ciência.
Mas agora, e já comprovadamente, temos que denunciar que a direção do PDT no Estado do Rio de Janeiro patrocinou, deliberadamente, a falsificação de assinaturas para criação de um colégio eleitoral destinado a deliberar sobre as candidaturas no município do Rio de Janeiro e a aliança majoritária que fez. Assinaturas comprovadamente falsificadas, demonstrando claramente a que ponto nós chegamos. Além da postura e da compostura já perdidas, agora a direção do PDT, reitero, liderada ou comandada pelo ex-Ministro Carlos Lupi, patrocina crimes.
Reunimos,  toda a documentação, aliás, documentação que a própria direção do PDT fez anexar nos seus argumentos na ação judicial que corre na 50ª Vara Cível. Não buscamos a documentação na sede do partido, através de qualquer mecanismo. Não. Recolhemos a documentação anexada pelo próprio partido, aliás, com os advogados Lauro Schuch e Mara Hofans, além de Trajano Ribeiro e outros. Eles que anexaram a documentação ao processo.
Solicitamos a um escritório de grande reputação de nosso Estado, que faz perícias, o exame dos documentos para que pudéssemos saber se aquilo que, pela observação visual, nos assustava era verdade. E os Peritos Mauro Ricarti e Alexandre Ricarti examinaram as subscrições e concluíram que, primeiro, uma pessoa só assinou inúmeras (dezenas) atas para a escolha dos delegados das zonais no Município do Rio de Janeiro – delegados escolhidos para a participação na convenção. Uma pessoa! Atas redigidas com a mesma caligrafia. E as poucas atas que, aparentemente, poderiam ser legítimas, também uma mesma pessoa assina por outras.
Eu não posso deixar de acreditar que isso tenha sido feito deliberadamente. Carlos Lupi não foi enganado. O colégio eleitoral ilegítimo, adredemente preparado, foi constituído não com o conhecimento, mas com a determinação de Carlos Lupi.
Vários companheiros pedetistas sinceros, brizolistas, que não se conformam com os rumos do nosso Partido, que não aceitam mais a permanência de Carlos Lupi e outros à frente da direção partidária, sem nenhum outra alternativa para tentar recuperar minimamente a imagem do PDT, estamos entrando com uma representação criminal no Ministério Público e, ainda, entrando com outra representação no próprio Tribunal Regional Eleitoral porque as deliberações são encaminhadas ao TRE.
E aí? Como fica a imagem do nosso Partido diante de verdadeiros criminosos? Porque o crime não se resume à falsificação das assinaturas. A falsificação das assinaturas comprova um atentado contra a própria democracia, afinal de contas, nas democracias representativas o acesso ao poder se dá por meio dos partidos políticos em eleições democráticas. Se alguém, mesmo que de forma ilegítima, dirige um partido e não respeita os filiados, que se dispõe e se atreve a falsificar assinaturas, a constituir um colegiado submisso, quem assim procede merece a mais ampla reprovação.
Aí,  fica uma preocupação, aliás, uma preocupação de que trataremos um pouco mais à frente: como ficam os nossos candidatos que foram escolhidos, que vão concorrer ao pleito a partir de uma convenção completamente nula? Completamente nula!
E os partidos políticos com os quais o PDT fez uma aliança para a eleição majoritária?
Como as respectivas direções vão encarar o PDT? Como um partido de irresponsáveis? Não genericamente. Irresponsáveis são os membros da direção.
Estamos, portanto, Sr. Presidente, analisando os próximos passos, mas, sem nenhuma dúvida, esta semana entraremos com uma representação criminal. São vários pedetistas. Já que Carlos Luppi e seu grupo insistem em desacreditar o PDT e em vender a nossa legenda – aliás, Brizola deve estar se revolvendo no túmulo; não apenas Brizola, mas tantos outros companheiros, como Darcy Ribeiro.
Aliás, para fazer uma homenagem rápida a Darcy Ribeiro, eu estava vendo, hoje, na televisão, a questão dos índios do Xingu. A reportagem dizia que, ainda no segundo Governo Vargas, Darcy Ribeiro procurou o Presidente para dizer que haveria a extinção dos índios no Xingu – eram 12, ou 14 índios somente. Darcy Ribeiro argumentou que eram os índios que guardavam com mais fidelidade e que preservavam o nosso território. Com isso, Getúlio fez a Reserva do Xingu. Hoje milhares de índios habitam o Xingu.
Lembro-me que, há alguns anos, em sessão da Câmara dos Vereadores em homenagem ao cacique Marcus Terena – Darcy Ribeiro já morto –, o homenageado resolveu falar do Darcy Ribeiro. Ao concluir ele disse: “O coração do índio bate com o coração da Terra e o coração da Terra bate com o coração de Darcy Ribeiro”. Foi uma formulação até emocionante.
Então, quando olhamos a história do nosso partido, a luta pela educação integral; quando nos lembramos da luta travada por Brizola, das traições por ele sofridas... Quando nos lembramos de Doutel de Andrade, Brandão Monteiro, Lisânias Maciel, Jorge Vieira, tantos companheiros que deram a vida, se dedicaram à construção da nossa legenda, eles estão no túmulo a exigir de nós uma ação concreta no sentido de tudo fazer para substituir a direção do PDT, reestruturar o nosso Partido, colocá-lo no verdadeiro trilho, recuperar a identidade partidária, a causa trabalhista, a causa socialista. Para fazê-lo estamos realmente dispostos a tudo. Vamos ao Ministério Público, a todas as instâncias, de modo a fazer com que criminosos não permaneçam na direção da nossa legenda.

Discurso
Paulo Ramos

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