quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Governador Sérgio Cabral não honra a própria palavra, não honra nem aquilo que escreve ou o que subscreve.

 falar sobre as nossas universidades estaduais, em especial a mais antiga delas, a Uerj.  Já estava aqui na ALERJ, onde estou há quase 16 anos, quando da última discussão e da aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários para os servidores da Uerj.
Posso registrar de memória que a luta pela Dedicação Exclusiva representou uma conquista dos professores da Uerj, na medida em que a Dedicação Exclusiva não constava da Mensagem encaminhada a esta Casa pelo então Chefe do Poder Executivo, atual Governador Sérgio Cabral. E a Dedicação Exclusiva ficou sendo opcional.
O tempo passa, e aquilo que é conquistado não é implementado. No jargão popular, “ganhou, mas ainda não levou”. Para um Governo que não tem qualquer compromisso com a educação, talvez as pressões não alcancem os resultados esperados. O Governador Sérgio Cabral tem demonstrado que não tem compromisso com o serviço público de um modo geral, não tem qualquer compromisso com a educação e com a educação de nível superior.
Durante a primeira campanha eleitoral, o Governador Sérgio Cabral foi pródigo em assumir compromissos. Ele procurou as entidades representativas de todos os servidores, e se comprometeu concretamente. Nós temos documentos assinados, temos gravações e pronunciamentos feitos pelo Governador, e o Governador Sérgio Cabral virou as costas para tudo aquilo com que se comprometeu. Aliás, no Jogo do Bicho tem na cedulazinha aquela expressão: “Vale o que está escrito”. O Governador Sérgio Cabral não honra a própria palavra, não honra nem aquilo que escreve ou o que subscreve.

O Governador provoca e os servidores, sem qualquer alternativa para afirmação dos seus direitos, vão para o embate político, chegando à greve, à paralisação da atividade, como única forma de pressionar o Governador. Aliás, é preciso alertar ou advertir o próprio Reitor Ricardo Vieiralves. Ele não integra o Poder Executivo. Ele foi eleito Reitor da Universidade e, ao invés de se posicionar contra o movimento dos servidores, ao invés de tentar penalizar os servidores com ações judiciais, deve, ao contrário, se aliar aos servidores para que a Universidade do Estado do Rio de Janeiro venha a ter a necessária tranquilidade para alcançar seus objetivos.

Percebemos que o Governador Sérgio Cabral talvez esteja muito mais preocupado com suas viagens a Paris, esteja mais preocupado em gastar uma fortuna que não amealhou honestamente porque a trajetória do Governador é conhecida e ele, obviamente, não recebeu ao longo da vida uma remuneração compatível com o patrimônio que ostenta. Mas que ele se dedique aos prazeres da vida, em sendo Governador já é muito condenável, mas que ele trate as universidades estaduais da forma como ele vem tratando é injustificável, é inaceitável.
A dedicação exclusiva em sendo opcional já deveria estar implantada. Aliás, se porventura todos na universidade fossem contemplados com a dedicação exclusiva, a própria gestão da universidade seria muito mais facilitada. Quem quer a dedicação exclusiva quer ter também tranquilidade no exercício da profissão; passa a ser mais eficiente, passa a perder menos tempo em transporte. Então, a dedicação exclusiva, a reivindicação é a afirmação de um compromisso profissional para a educação. E o Governador, junto com o reitor, não quer respeitar.
Hoje, aqui na ALERJ, até os números já foram trazidos, os percentuais, tudo aquilo que é investido na Educação. Eles não tratam dos percentuais, eles tratam em termos absolutos. Não, mas eles não tratam em milhões. Agora são outros milhões. Eu tive a oportunidade, de colocar nesta tribuna, uma fita com a voz do Governador, onde ele dizia: “O Estado tem um orçamento de 33 bilhões e gasta com o servidor pouco mais de 13 bilhões. Candidato que disser que não há dinheiro para remunerar dignamente o servidor é incompetente, é mentiroso.”
Hoje, o orçamento passa da casa dos 60 bilhões, está quase batendo na casa dos 70 bilhões. E o governo vira as costas para a educação pública, vira as costas para a universidade, vira as costas para a Saúde pública, vira as costas para o serviço público.
Não é possível que o Governador do Estado continue de costas para as universidades estaduais, continue de costas para a UERJ e não é possível que o Reitor Ricardo Vieiralves continue na sua posição de intransigência e de repressor e não de reitor. Ou ele é um reitor ou ele é um repressor. Quando ele foi reeleito e é preciso dizer isso, assim como o Governador Sérgio Cabral foi reeleito no 1º turno, com 66% dos votos, o Reitor Ricardo Vieiralves também foi reeleito. Mas ele não pode – em homenagem a reeleição – entender que tem carta branca para agir contra os servidores, contra os professores. Ele foi reeleito exatamente para realizar os objetivos da universidade. Por último, também temos que dizer que todos – todos – os avanços experimentados em nossa Universidade do Estado do Rio de Janeiro decorrem da luta de seus servidores. Nada foi concedido. Tudo ali vem sendo conquistado.
Portanto,  a minha solidariedade ao movimento grevista e a minha rejeição; a minha denúncia e a minha crítica ao Reitor Ricardo Vieiralves por ele estar deixando de ser um reitor para ser repressor, perseguindo os servidores ao invés de apoiar o movimento.

Um comentário:

  1. Eu acho complicado falar de bens. Até porque uma pessoa pode sim, de forma honesta, adquirir bens ao longo de anos. E conforme os anos vão passando esses bens vão sendo valorizados cada vez mais. Não julgo quem sabe investir.

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