quinta-feira, 23 de agosto de 2012

As vantagens auferidas por Fernando Cavendish através da Delta


Mas venho a esta tribuna, para tratar de um tema que é muito relevante para todo o povo brasileiro: a CPI que está sendo conduzida no Congresso Nacional, CPI mista, que trata do caso do Carlinhos Cachoeira. Carlinhos Cachoeira, controlador do crime organizado no Estado de Goiás, simultaneamente passou a ser um elemento dentro da máquina pública, não apenas no Estado de Goiás, Brasília e na União, mas em outros estados – inclusive no Rio de Janeiro, por onde já havia passado e foi também investigado na época em que esta Casa criou uma CPI para investigar o Caso Loterj, a Loteria do Estado do Rio de Janeiro.
Carlinhos Cachoeira é uma figura conhecida desta Casa, mas a penetração de Carlinhos Cachoeira na Administração Pública, como sendo alguém que conseguiu construir um império e acumulou muitos poderes; a expressão por ele alcançada pode ser dimensionada na figura do Senador Demóstenes Torres – ou ex-Senador –, conhecido especialmente pelos que acompanham a atividade política como “defensor da ética”, mas que, a bem da verdade – tudo ficou comprovado e foi cassado –, era uma espécie de braço político, infiltrado no Congresso Nacional para defender os interesses de uma organização criminosa comandada, chefiada por Carlinhos Cachoeira.
Mas Carlinhos Cachoeira – ao que já está comprovado – agia através também de uma grande empreiteira, a Delta. E através desta, ele foi sendo contemplado com muitas obras públicas, do Governo Federal e também do Estado do Rio de Janeiro. Muitas.
A Delta – com um possível, longínquo equívoco – pertence ao Carlinhos Cachoeira, e o Fernando Cavendish era uma espécie de testa de ferro. E aqui, no Rio de Janeiro, o Fernando Cavendish conseguiu não apenas grandes obras, não apenas auferir recursos públicos, mas também um alto grau de intimidade especialmente com o Governador do Estado e alguns de seus secretários.
O ambiente revelado com episódios acontecidos em Paris demonstrou não apenas a afinidade e a amizade, mas também a cumplicidade – com as mulheres, as esposas, mostrando, os sapatos de solas vermelhas. Aliás, agora apreenderam na Europa um carregamento de sapatos piratas, fabricados na China. Talvez aquelas madames – acostumadas a fraudar e aos desvios de conduta; vendo-os e tendo-os como exemplo – reproduzissem ali, com os sapatos piratas, a natureza do grupo.
Mas, antes do episódio de Paris, já tínhamos tomado conhecimento da tragédia em Porto Seguro, na Bahia, onde o Governador do Estado – patrocinado por figuras conhecidas, mas, principalmente, pelo dono da Delta – estava para um período de alegria e de festa, com o patrocínio de Fernando Cavendish, da Delta.
É claro que a tragédia enlutou as famílias. Não quero enveredar por esse caminho. Mas primeiro a comprovação de que a Delta pertence a Carlinhos Cachoeira. Segundo, a intimidade com que Fernando Cavendish, o testa de ferro, transita por alguns gabinetes do Estado do Rio de Janeiro, a começar pelo gabinete do Governador do Estado, e talvez também nas residências. Inclusive, lá em Mangaratiba, com belíssimas mansões. Dizem que, se houver uma investigação rigorosa, vão concluir que o Governador do Estado, pelas atividades que desenvolveu, não dispõe de recursos para ostentar um patrimônio tão vigoroso.
Mas a CPI, no Congresso Nacional, tem oferecido um espetáculo até deprimente. Não para os parlamentares que integram a Comissão; não para o Congresso Nacional. Um espetáculo deprimente para a sociedade brasileira, porque fica comprovado a que ponto se dispõem aqueles que se conluiaram, que formaram uma verdadeira quadrilha para desviar recursos públicos, e como eles submetem aqueles que poderiam colaborar com a CPI. Porque não é possível que algumas pessoas sejam convocadas para prestar depoimento, na qualidade de testemunhas, e as pessoas ingressem com ação no Supremo Tribunal Federal invocando o direito de ficar calada.
Se a pessoa fosse acusada – e quem é acusado, a lei protege; não precisa fazer prova contra si mesma –, mas testemunha invocar o direito de ficar calada; buscar a proteção judicial... Isso é uma espécie de confissão. Fica calado o acusado para não fazer prova contra si mesmo, mas a testemunha...
Então, alguém que é convocado como testemunha e se dispõe ou busca a proteção judicial para ficar calado está confessando que poderia prestar um depoimento que, amanhã, se voltaria contra ela própria.
Mas a lei que regulamenta as Comissões Parlamentares de Inquérito, em tratando da testemunha, diz que a testemunha assume o compromisso de falar a verdade. Mas a lei criminaliza a testemunha que mente, mas também a que omite a verdade. Está lá claramente na lei: “faltar com a verdade ou omitir a verdade”. Talvez por essa razão estejam buscando no Supremo Tribunal Federal o direito ao silêncio.
De qualquer maneira, os membros da CPI deverão ou poderão, analisando a legislação, na hipótese de uma testemunha invocar o direito de ficar calada, enquadrá-la na prática de crime por omitir a verdade. A pessoa dizer que não tem conhecimento é uma coisa. Ter conhecimento e não revelar à CPI é crime. Vamos ver como vai se comportar o Sr. Fernando Cavendish, que já está convocado. E, obviamente, ele próprio, vai ter garantido o direito de ficar calado, porque ele faz parte da quadrilha; ele é o representante, é o testa de ferro de Carlinhos Cachoeira. Que através de empresas de fachada vem recebendo, ou vinha recebendo, transferência de recursos da Delta. Vamos ver se pelo menos o tal de Pagot – aliás, é um nome interessante – que veio do DNIT, que chegou a dizer que denunciaria tudo aquilo que sabia e agora também se propõe ao silêncio, não sei como ele vai se comportar, ou se ele já foi remunerado para não falar, ou para omitir a verdade. Vamos ver.
De qualquer maneira, todos nós estamos acompanhando de perto a CPI do Carlinhos Cachoeira não apenas em homenagem ao interesse do povo brasileiro, mas também, acima de tudo, em homenagem ao interesse do povo do Rio de Janeiro. Porque a intimidade, a proximidade e as vantagens auferidas por Fernando Cavendish através da Delta, aqui no Rio de Janeiro, tudo isto precisa ser muito bem explicado.

Um comentário:

  1. Meu Deputado, o povo Brasileiro está de olhos fechados,ainda falta muito para este País ter representantes igual ao Senhor,que vem lutando para termos na alerj e nas outras esferas do poder, pessoas dignas para representar o tão sofrido trabalhador e sua família.

    Espero e luto para que estes canalhas que vem nos roubando da saúde, educação, segurança e do progresso deste País sejam todos presos.

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