terça-feira, 8 de maio de 2012

O crime praticado pelo Governador Sérgio Cabral pode ser medido a partir de muitas dimensões.

Vivemos no Rio de Janeiro uma situação difícil no respeitante ao fechamento de hospitais. Primeiro, o Instituto São Sebastião, instituto de infectologia que estava prestes a completar 119 anos, com a dissolução de equipes, enfim uma perda muito grande para o povo do Estado do Rio de Janeiro e para o povo brasileiro, porque o Instituto de Infectologia São Sebastião, no Caju, com seus pesquisadores, com seus profissionais de saúde, tinha alcançado reputação mundial.
Temos diversas doenças infectocontagiosas que eram tratadas por aquele Instituto, em socorro à população do Rio de Janeiro. Nesta fase, em que há um recrudescimento da dengue, é necessário lembrar que, no último ano de funcionamento, o Instituto São Sebastião tratou de mais de dois mil infectados, sem um óbito.
O crime praticado pelo Governador Sérgio Cabral pode ser medido a partir de muitas dimensões.
Depois, todo o esforço para o fechamento da Rede Iaserj – Iaserj Penha, Madureira, Gávea, Niterói –, com os servidores do Estado perdendo a sua rede de Saúde. O Iaserj Central – hoje houve uma audiência pública, uma assembleia -, um complexo hospitalar, o Governo pretende desativá-lo para ampliar o Instituto Nacional do Câncer. Essa é a pretensão.
Por que, para ampliar o Inca, ter que destruir o Iaserj, que, mesmo com as condições oferecidas hoje, vem prestando relevantes serviços, não apenas a uma parcela dos servidores públicos, mas inclusive àqueles que estão ligados ao Sistema Único de Saúde?
Depois, a explosão criminosa de um transformador no Hospital Pedro II, aliás, fechado para atender aos interesses da Companhia Siderúrgica do Atlântico, que estava poluindo tudo na região de Santa Cruz e Itaguaí, infernizando a vida da população, acarretando muitas doenças respiratórias, dentre outras. E a população não tinha um hospital que pudesse centralizar pelo menos o registro das ocorrências, como prova definitiva da perniciosidade daquela companhia siderúrgica, que tem contado com o patrocínio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, que tem à sua frente o Deputado Carlos Minc.
Depois de algum tempo de enfrentamento, a Secretaria de Meio ambiente, através do Inea, assinou um Termo de Ajuste de Conduta com a CSA com 130 itens. Imaginem: 130 itens! O número é tão grande que demonstra claramente o mal que a Companhia Siderúrgica vem fazendo à população.
Depois do fechamento daqueles hospitais, temos agora a notícia, e está nos jornais de hoje, de um hospital federal: o Hospital de Ipanema. Há divulgação de que pretendem transformar aquele hospital numa central de transplantes.
Que há necessidade de uma central de transplantes, pode não haver dúvidas, mas por que mudar o perfil de um hospital que atende a população em diversas clínicas, em diversas especialidades? Por que praticar esse crime? Um hospital que foi reformado há pouco tempo e ainda pretendem construir lá um heliporto, para desgraçar mais ainda a vida da população?
Como é em Ipanema, imagino que os seus moradores tenham força política para impedir, porque lá estão os vizinhos das figuras mais ilustres da nossa república, que residem no Rio de Janeiro. Mas, temos que registrar esse crime. É um crime! Olha que o Instituto de Trauma e Ortopedia, com obras feitas pela Delta, já nem está atendendo dentro da sua capacidade mínima; nem isso atende; lá existem rachaduras e etc. Lá, onde era o prédio do Jornal do Brasil. Então, quero daqui desta tribuna manifestar a minha solidariedade aos profissionais de saúde. Primeiro os do Iaserj, pela resistência, pela luta e pela assembleia realizada hoje e também aos servidores federais do Hospital de Ipanema. Vamos estar juntos nessa resistência para impedir que o hospital mude o seu perfil. Se há a necessidade de uma Central de Transplantes, por que alcançar um hospital que presta relevantes serviços à população? Por que não construir uma central ou ocupar qualquer outro prédio que esteja disponível? Então, manifesto a minha solidariedade.

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