terça-feira, 22 de maio de 2012

Com a permanência de Carlos Lupi e seus asseclas à frente da direção do PDT, será impossível resgatar a nossa legenda

Texto do Discurso

Venho a esta tribuna manifestar uma grande preocupação em relação ao meu partido, o PDT. Preciso especialmente da atenção da bancada do PDT na Assembleia Legislativa.
Tenho relatado aqui a irresponsabilidade e as arbitrariedades praticadas pela direção do PDT, tanto a direção nacional quanto a direção estadual, sob a liderança, ou sob o comando, ou sob o mando, ou sob o controle do ex-Ministro Carlos Luppi. Tenho relatado e acredito que, se não todos, pelo menos alguns integrantes da bancada do PDT estão cientes de que, na convenção realizada pelo partido no Estado do Rio de Janeiro em 2008, os donos do partido, aqueles que transformaram a nossa legenda numa espécie de balcão de negócios, num cartório, numa legenda de aluguel, ousaram impedir que uma chapa opositora participasse da oposição.
Isso foi no ano de 2008: a chapa opositora foi absurdamente impugnada. Aliás, quase que sequer a chapa é recebida. Inconformados, os integrantes da chapa ingressaram com uma ação judicial e, depois da tramitação, em 2011, por decisão definitiva, a convenção foi anulada. Em novembro de 2011 foram anulados a convenção e todos os atos praticados pela executiva resultante do diretório cuja eleição foi anulada.
Numa manobra cínica, despudorada, a direção nacional – quando falo direção nacional, falo Carlos Luppi –, sem o apoio de toda a executiva nacional e sem o aval do diretório nacional, com uma espúria comissão executiva, nomeou uma comissão provisória, composta pelos mesmos membros da executiva que resultou no diretório regional cuja eleição foi anulada. Eles continuaram mandando e desmandando no PDT.
Quando aqui denunciei o resultado da decisão judicial, mencionei que o PDT sequer tinha diretórios em nove estados, exigência da Lei. No Estado do Rio de Janeiro, prevalecia a orgia de comissões provisórias ou a inexistência de qualquer representação partidária. Talvez numa demonstração de desespero, a direção do PDT, com a subscrição dos membros da bancada, salvo o Deputado Bebeto, encaminhou uma representação à Comissão de Ética Nacional para submeter à análise o meu procedimento de advertência. Eu é que estava sujeito ao crivo da ética!
É claro que, depois, houve muitas manifestações no partido e, coletivamente, um expressivo grupo, em repúdio à representação, ingressou com outra, com dezenas e dezenas de assinaturas, dizendo que quem deveria ser submetido ao crivo da Comissão de Ética eram, e ainda são, aqueles que dirigiam o partido, desacreditando a nossa legenda, fazendo com que o PDT perdesse completamente a sua identidade.
Num ato de ousadia maior, a comissão provisória, completamente ilegítima, marcou, nos últimos dias, uma convenção para eleição do diretório, sem a observância de prazos, sem publicidade, excluindo a participação dos diretórios zonais da Capital, enfim, manipulando o colégio eleitoral para que houvesse uma eleição tranquila.
Ingressamos com ação judicial e o Juízo da 5ª Vara Cível concedeu liminar, não apenas sustando a realização da convenção, mas também negando a imposição das regras e reafirmando que essa comissão provisória que dirigia o PDT também não observava os estatutos partidários, reiterando serem nulos todos os atos por ela praticados. E quais são os atos praticados? Nomeação de comissões provisórias, eleições de diretórios. Tudo está anulado.
Nos Municípios do Rio de Janeiro onde não havia diretório, diretórios sucessivos, e são poucos os que têm, a situação é periclitante em relação à participação do PDT nas próximas eleições municipais. Há uma situação de crise. Corre o PDT o risco de, dos 92 Municípios, em pelo menos 86 não ter a possibilidade de concorrer nas eleições municipais. Quem é responsável por isso? São responsáveis aqueles que dirigem o partido de forma arbitrária, aqueles que se apropriaram do PDT, transformando-o numa espécie de empresa, vendendo serviços a cada eleição.
Deputado Wagner Montes, que deixou os nossos quadros, acompanhou essa luta. Sempre conversei detidamente com V.Exa. sobre os rumos da nossa legenda, que, lamentavelmente, V.Exa. deixou junto com o Deputado Marcos Soares e com a Deputada Myrian Rios.
Mas V.Exa. sabe que o nosso partido caminhou, perigosamente, para uma situação de risco quando a nossa legenda poderá, praticamente, quase ser banida do mapa eleitoral do Estado do Rio de Janeiro. É duro concluir que precisamos, portanto, se tal acontecer, refundar o PDT. Mas para que tal aconteça, é preciso substituir a atual direção.
Tivemos uma reunião ontem, com a participação muito expressiva de pedetistas e nos reunimos com o corpo de advogados que vêm conduzindo, nos tribunais, as ações judiciais pendentes, desmascarando, agora, a atual direção.
Não sei se eles terão coragem de se apresentar em qualquer município que esteja correndo perigo, para mediar qualquer aliança, para participar de qualquer debate, para apoiar qualquer candidatura e as aspirações. Mas é preciso também dizer que muitos que estão dirigindo o PDT nesses vários municípios, muitos foram também cúmplices da atual direção, desiludindo verdadeiros trabalhistas, verdadeiros pedetistas, verdadeiros brizolistas, muitos se afastando do partido, deixando a nossa legenda ou perdendo a capacidade de luta.
Venho a esta tribuna para dizer, pelo menos, que estamos organizando um grande ato, uma grande reunião, convidando as representações municipais, convidando aqueles que dirigem o PDT nos vários municípios, para que eles, mesmo aqueles - mesmo aqueles! – que se submeteram e se alinharam às ações desatinadas e irresponsáveis da direção partidária, sejam alertados, para que possamos encontrar um caminho para salvar o nosso partido nas eleições municipais. Mas é preciso dizer que qualquer caminho, qualquer rumo a ser encontrado, passa, necessariamente pela substituição da atual direção.

Com a permanência de Carlos Lupi e seus asseclas à frente da direção do PDT, será impossível resgatar a nossa legenda, resgatar a identidade partidária, fazer com que o PDT volte a ser uma sigla que possa proclamar, em todas as ruas, em todos os cantos, o nome de Vargas, Jango e Brizola.
Muito obrigado.

Um comentário:

  1. è isso Deputado, aqui no extremo sul do Brasil, enfrento a voracidade dos asseclas de Lupi, que infelizmente se não tomar-mos posição irá dilacerar o partido.

    abraços trabalhistas

    mauricio m dos santos
    ex vereador pdt/santa vitória do palmar/rs

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