sexta-feira, 27 de abril de 2012

Com blindagem da Alerj, Sérgio Cabral evitou investigação da Delta no Rio

Deputado apresentou pedido de CPI antes da Operação Monte Carlo, mas foi ignorado

Os desdobramentos da Operação Monte Carlo, que desmontou a quadrilha do contraventor Carlinhos Cachoeira, acertaram em cheio a Delta, uma das principais empreiteiras do país. Líder em projetos contratados pelo PAC, a empreiteira recebeu R$ 2,9 bilhões da União e R$ 1,4 bilhão do governo do estado do Rio de Janeiro desde 2007. De acordo com as gravações da Polícia Federal, Cachoeira teria envolvimento direto com a Delta, agindo como lobista da empresa junto a agentes públicos.
A bomba pegou muita gente de surpresa, mas não quem acompanha o cenário político fluminense. Desde o ano passado, parlamentares de oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) tentam emplacar uma investigação da empreiteira, mas sempre acabaram vencidos pela ampla maioria da bancada governista. Coincidentemente, Sérgio Cabral é amigo próximo do dono da Delta, Fernando Cavendish, e foi justamente durante o seu mandato que a empresa disparou como uma das principais parceiras do governo estadual.
“A Alerj não blindou apenas os pedidos de investigação da Delta. Ela blinda o Cabral e seu governo de qualquer investigação parlamentar, o que fere um dos principais deveres do Poder Legislativo”, critica o deputado estadual Paulo Ramos (PDT). Responsável pelo pedido de investigação da Delta em 2011, ele desqualificou as medidas do governador contra a Delta. “Quando ele foi flagrado junto com o Cavendish, em Trancoso (BA), criou uma comissão de ética formada por seus aliados. Agora que a Delta foi flagrada nesse escândalo com o Cachoeira, novamente colocou pessoas ligadas a ele para investigar os contratos. Não há isenção alguma”.


O incidente em Trancoso, ao qual o deputado se refere, foi a queda de um helicóptero que levava parentes de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish para comemorar o aniversário do empreiteiro, em junho do ano passado. A tragédia expôs a proximidade do governador com o dono de uma das empresas mais beneficiadas pelos contratos estaduais e foi o pivô de uma série de críticas e pedidos de investigação que não foram levados adiante. Com ampla maioria na Alerj, o PMDB e seus aliados puseram panos quentes no assunto.

2 comentários:

  1. Você acha, Dr. Paulo Ramos, que os Sr. Wagner Victer, Presidente da CEDAE, usou a CIA para negociatas obscuras com a Delta? Seguem algumas denúncias públicas e com fonte.

    AÇÃO POPULAR CONTRA PRESIDENTE DA CEDAE E DELTA CONSTRUÇÕES Deu entrada na 6ª Vara de Fazenda Pública do Rio, uma Ação Popular (Proc. Nº 0148352-72-2012.8.19.001) movida pelo advogado Jamilton Moraes Damasceno contra o presidente da CEDAE, Wagner Victer, outros diretores da estatal e a Delta Construções. Por Alberto Marques – O objetivo é obrigar os réus a devolvam aos cofres públicos, acrescidos de multa, juros e correção monetária, os R$ 11,2 milhões de um contrato sem licitação entre a estatal e a construtora. Em 2010, a CEDAE abriu uma licitação (R$ 11,2 milhões) para a continuidade dos serviços de reparo e manutenção na Zona Sul. Quando o Edital foi submetido ao Tribunal de Contas do Estado, os conselheiros constataram inúmeras irregularidades e determinaram que o Edital fosse refeito na forma prescrita pela Lei de Licitações. Ao invés de se submeter à determinação do TCE, a direção da Cedae resolveu desafiá-lo, firmando um contrato no mesmo valor, sem a necessária licitação. Para justificar essa ilegalidade, a Cedae alegou tratar-se de uma emergência, quando se tratava de um contrato para a continuidade dos serviços anteriormente contratados, o que seria perfeitamente possível mediante um aditamento ao contrato original. Com pedido para que Wagner Victer e os demais responsáveis sejam obrigados a devolver aos cofres públicos os R$ 11,2 milhões do contrato, a Ação Popular aponta como réus, além do Governo do Estado do Rio, a Delta e a Cedae, os Srs. Armando Costa Vieira Jr., Wagner Granja Victer, Hélio Cabral Moreira e a Sra. Andréia Pereira Neves. Fonte: http://www.caxiasdigital.com.br/blog/acao-popular-contra-presidente-da-cedae-e-delta-construcoes/

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  2. Outra envovendo a CEDAE e a DELTA?

    Delta também tem contratos com a Cedae, sem licitação, para medição de consumo de água Por CArla Richa,m Elenilce Bottari, Fábio Vaconcellos e Ruben Berta, no Globo: Uma das campeãs em obras no estado, a Delta Construções não limita seus ganhos a construções. Em maio de 2004, em parceria com outra empresa, a empreiteira assumiu quase 80% do sistema de medição de consumo de água da Cedae. Os novos hidrômetros - que causaram dor de cabeça a muitos consumidores, principalmente em 2006 - renderam até hoje pelo menos R$ 377 milhões em contratos para o consórcio Novoperação, formado pela Delta e pela Emissão Engenharia e Construções. Após seis anos estendendo o contrato com termos aditivos - prazo máximo permitido por lei -, o estado contratou, a partir de maio do ano passado, sem concorrência e sob a alegação de emergência, o mesmo grupo por mais um ano. Somente sem licitação foram R$ 49,8 milhões do total de R$ 377 milhões. Os serviços incluem a instalação e a leitura de hidrômetros. Um segundo consórcio está com os 20% restantes do serviço desde maio de 2004: o Acqua Rio, formado pela GMF (Gestão de Medição e Faturamento) e pela Sanear. Até hoje, essas empresas receberam R$ 104 milhões em contratos, sendo R$ 15,4 milhões sem licitação desde maio de 2010. O detalhe é que, em junho de 2004, um mês após o início dos serviços para a Cedae, as quatro empresas que formam os consórcios se uniram, formando uma quinta: a Desg. A sociedade foi desfeita em agosto de 2006 na Junta Comercial. Como o contrato feito com a Delta foi assinado em 24 de maio de 2004, esgotou-se em 24 de maio de 2010 o prazo “para casos excepcionais” da Lei de Licitações, de seis anos de prorrogação. Em nota enviada ao GLOBO, a Cedae chegou a informar que lançou um novo edital de concorrência para o serviço somente em 1 de junho de 2010. Depois da nota, no entanto, o presidente da Cedae, Wagner Victer, informou que o lançamento ocorreu em 25 de março de 2010. A alegação da Cedae para a contratação dos consórcios sem licitação por um ano foi que o TCE pediu para analisar o texto do edital, o que só foi concluído em maio deste ano. Segundo a companhia, o serviço não poderia ser interrompido. O TCE confirmou que pediu mudanças no edital, mas informou que ainda está analisando se as dispensas de licitação foram regulares. Atualmente, há uma concorrência em andamento. Por Reinaldo Azevedo FONTE: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/na-cabralandia-delta-tambem-tem-contratos-com-a-cedae-sem-licitacao-para-medicao-de-consumo-de-agua/

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