terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aqui no Estado do Rio de Janeiro o PDT é dirigido por uma comissão provisória.

Discurso - Paulo Ramos

13/12/2011


Já ocupei algumas vezes esta tribuna para tratar de um problema interno do meu partido, o PDT, que está sendo hoje, não vou dizer dirigido, mas sim destruído por algumas figuras que não respeitam os compromissos ideológicos e os compromissos programáticos da nossa legenda, o PDT. Já tive a oportunidade, Sr. Presidente, de denunciar que através de algumas figuras, não só no plano nacional, como aqui no nosso Estado, o PDT vem sendo desorganizado deliberadamente para ficar como presa fácil, servindo a outros interesses, principalmente, interesses escusos.

Tive a oportunidade de dizer - e reitero - que qualquer adversário do PDT poderá buscar no Tribunal Superior Eleitoral a cassação do registro de nossa legenda, porque não tem diretório eleito em nove estados, que é o mínimo exigido pela lei, demonstrando claramente a irresponsabilidade daqueles que se atrevem ainda a permanecer à frente da nossa legenda. Refiro-me, no plano nacional, ao ex-ministro Carlos Lupi, que foi defenestrado do Ministério do Trabalho em função de denúncias as mais contundentes, sem que tenha dado as devidas explicações. Se ele aparecer hoje ao lado do busto de Getúlio, na Cinelândia, corre o risco de ser expulso daquele espaço democrático por qualquer do povo que venha a identificá-lo. O Sr. Manoel Dias, de Santa Catarina, que, como secretário geral do partido, contribuiu para transformar nossa legenda, nacionalmente falando, num aparelho de luxo, que a tudo serve menos à causa partidária.

Aqui no Estado do Rio de Janeiro o PDT é dirigido por uma comissão provisória. Aliás, alguns dos membros da comissão provisória, principalmente os dois Deputados Estaduais que a integram, deveriam ter vergonha de participar desse processo de destruição da nossa legenda. Comissão provisória que resulta de um processo espúrio. Quando a convenção de 2008 foi anulada pela Justiça, em decisão definitiva, e a direção nacional, com as figuras que citei, teve o desplante de nomear uma comissão provisória composta pelos mesmos membros da comissão executiva eleita pelo diretório cuja eleição foi anulada.

Se vergonha eles tivessem, deveriam, ao contrário, organizar uma nova eleição, já que a outra foi anulada. Mas esta comissão provisória espúria, presidida, primeiro, pelo subsecretário de Defesa do Consumidor, José Bonifácio, reconhecidamente, em decisão definitiva do Tribunal de Contas, como ficha-suja. Se o Governador Sérgio Cabral observar o dispositivo constitucional aprovado por esta Casa e se o fizesse com a rapidez necessária, já teria demitido aquele subsecretário, porque é um ficha-suja. Temos dois Deputados, Luiz Martins e Cidinha Campos; temos dois funcionários do partido e outros dois assessores do ex-ministro Carlos Lupi, cujos nomes nem me lembro, nem convém citar.

No Rio de Janeiro, o PDT em 41 municípios não tem nenhuma representação. Eles sequer nomearam comissão provisória, nem isso – em 46 municípios, comissão provisória e somente em seis municípios, diretórios eleitos. Agora, essa comissão provisória espúria começa a organizar com ligeireza eleições em diretórios municipais. Eles estão confessando que a destruição do partido foi tal que sequer há colégio eleitoral para eleger um novo diretório. Deveriam, pelo menos, organizar uma comissão provisória representativa, representando as correntes existentes no partido; o PDT deveria observar o processo democrático.

Tenho denunciado ao longo dos últimos anos. Antes denunciava só internamente. Tentei travar uma luta interna, mas via a desfaçatez, o atrevimento e a ousadia desses que citei – no plano nacional, Lupi e Manoel Dias; no Estado do Rio de Janeiro, Carlos Lupi, Carlos Correia e José Bonifácio, o Secretário ficha suja, que agora se fazem acompanhar de dois Deputados da bancada, o Deputado Luiz Martins e a Deputada Cidinha Campos.

Eles deveriam compreender que somente parti para denunciar publicamente o partido e o procedimento deles depois que ousaram, com a destruição do nosso partido, assumir em comissão provisória os destinos da legenda no Rio de Janeiro. Na verdade, na última eleição para o diretório, o atrevimento foi tanto que eles impugnaram a chapa por mim encimada e composta de vários companheiros pedetistas. Impugnaram a chapa porque sabiam que perderiam a eleição. Temeram, aí passei a denunciar.

Essa comissão provisória – reitero, espúria e indigna – ousou representar contra mim no Conselho Nacional de Ética, até porque no Estado está tão desorganizado o partido que nem Comissão de Ética tem. Eles, então, recorreram à Comissão de Ética do diretório nacional. Ousaram propor a minha exclusão da legenda, certamente, na esperança de cassar o meu mandato. Eles estão com a consciência pesada e não querem ouvir, não querem ouvir. Não querem me ouvir denunciar desta tribuna que, por estar desorganizado, por estar sem rumo, o PDT decidiu apoiar o Governo Sérgio Cabral, com o qual a nossa legenda não guarda nenhuma identidade.

Sr. Presidente, agora, paralelamente, surgiu o escândalo no Ministério do Trabalho. O escândalo no Ministério do Trabalho serviu ainda para que ficasse verdadeiramente demonstrado que a destruição do partido não só fez com que o mesmo perdesse o seu rumo ideológico e programático, mas também fez com que fosse exposto sem nenhuma possibilidade de defesa. Jogaram o PDT na lama da corrupção.

O SR. PRESIDENTE (Edson Albertassi) – Conclua, Deputado.

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, face à ousadia de tentar me submeter à Comissão de Ética, eles são os imorais, são os aéticos. Eles são aqueles que destruíram o partido. O partido passou a ser um instrumento para que eles alcançassem outros objetivos. Eles tomaram essa iniciativa, deram um tiro no pé.

Na última quinta-feira, Sr. Presidente, um grupo de pedetistas muito representativo realizou um ato na porta do partido para protestar contra essa infâmia perpetrada pela comissão provisória. Tal comissão, reitero, tem como integrantes um ex-Deputado fica suja, José Bonifácio – Subsecretário de Defesa do Consumidor que, de acordo com a Constituição Estadual, já deveria ter sido demitido –, o Deputado Luiz Martins e a Deputada Cidinha Campos, que antes vivia aí reverberando contra o Governo Sérgio Cabral; era a maior opositora, e agora deveria até assumir a posição de líder do Governo. Ela defende o Governo com tal garra que alguém fica a pensar no que terá acontecido, qual terá sido o preço para uma mudança tão radical de posição. Dizem que é um canal de televisão, um programa de televisão patrocinado pelo próprio Governador; dizem que há recursos do Estado financiando o programa – dizem. E quero saber, porque uma mudança tão radical precisa de explicação pública, e não simplesmente começar a assumir posições diferenciadas sem prestar contas, principalmente ao próprio partido que integra. Foi uma mudança muito radical.

Aí, Sr. Presidente, o ato público ainda enfrentou um problema: a sede do partido foi fechada porque eles não resistem à pressão. A manifestação contou não só com a participação de companheiros do PDT, mas fiquei feliz porque lá compareceram representantes de várias categorias profissionais, de vários setores do serviço público e até de representantes de outros partidos políticos – e são quadros partidários que divergem das nossas posições, mas que compreendem que aqueles que ousaram representar contra mim no aspecto ético não têm autoridade política e autoridade moral. E a sede estava fechada e fiquei triste quando um pedetista colocou na porta “Fechado para desratização” – talvez com alguma razão.

Sr. Presidente, assomo à tribuna para dizer que o PDT não será conduzido por eles, que serão derrotados. Eles poderão permanecer no partido, vão ter até que fazer uma autocrítica se compostura tiverem. O PDT vai encontrar o seu verdadeiro rumo, vai retornar a ser o fio da história com seus compromissos ideológicos e programáticos. Proclamo mais uma vez: eles pensam que podem me expulsar da legenda, mas, com certeza absoluta, antes que isso aconteça – porque não acontecerá –, eles não estarão mais na direção do partido, e possivelmente alguns deles poderão estar na cadeia.

Muito obrigado.
Paulo Ramos

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