quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Aqui no Rio de Janeiro, o PDT se transformou numa legenda de aluguel, num cartório, num balcão de negócios, que vem sendo negociado por três dinheiros


Texto do Discurso 08/09/2011
DEPUTADO PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último final de semana, iniciando na quinta-feira e concluindo os trabalhos no sábado, o meu Partido, o PDT, realizou em Porto Alegre um congresso com o objetivo de homenagear Leonel de Moura Brizola em função dos 50 anos da Cadeia da Legalidade. Um fato histórico cujas repercussões ainda são percebidas no dia de hoje. Mas, paralelamente às homenagens, o que predominou no 5º Congresso do PDT foram os debates a respeito da organização do nosso partido e dos seus desvios ideológicos e programáticos. No concernente a organização partidária, denunciou-se que os atuais dirigentes nacionais, especialmente o presidente licenciado, Ministro Carlos Lupi, e o secretário geral do partido, o Sr. Manoel Dias, ao contrário da luta pela organização partidária, tem levado o partido praticamente a extinção. Na visão deles quanto menos organizado, quanto menor a participação da militância, mais fácil fica conduzir o partido para a realização de acordos, os mais espúrios, distante da causa trabalhista e das bandeiras nacionalistas que o partido vinha empunhando até a morte de Leonel Brizola. Além dos acordos espúrios, filiações as mais surpreendentes, por vezes de figuras identificadas com compromissos opostos àqueles professados pelo Partido Democrático Trabalhista em seu programa.

É uma situação tão lamentável que o PDT hoje não cumpre a legislação que exige ter diretório organizado em pelo menos nove estados. A situação de indigência é tão grande que o PDT corre o risco de ter o seu registro cassado porque não cumpre a legislação partidária.

Aqui no Rio de Janeiro a tragédia também é muito grande, porque preside o PDT, também, o Ministro Carlos Lupi, licenciado. É licenciado, mas é o presidente nacional de fato. O Deputado Federal André Figueiredo, simplesmente assina os atos oficiais, mas quem preside o PDT é o Ministro Carlos Lupi. Preside também o PDT do Rio de Janeiro, licenciado, e está secundado por dois subalternos, aliás, dois que exerceram mandato nesta Casa: o ex-Deputado José Bonifácio e o ex-Deputado Carlos Correa. A situação no Estado do Rio de Janeiro é de tamanha evidência que não pode talvez existir atestado maior da desorganização partidária. Em aproximadamente, Sr. Presidente, 47 municípios... Em 92, o PDT não tem diretório eleito e não tem comissão provisória. Em 39, 40 municípios o PDT só tem comissão provisória, à qual é mantida ou destituída ao sabor da executiva.

Se porventura a comissão provisória não concordar com os acordos partidários feitos, principalmente no processo eleitoral, pela executiva regional, a comissão é destituída e é nomeada outra.

Só existe diretório constituído em eleições também suspeitas em cinco ou seis municípios. Na Capital, no Rio de Janeiro, o diretório eleito precisava ser renovado, pois vencia o mandato. A direção municipal sinalizou que realizaria a eleição e não o fez. A direção nacional nomeou uma comissão provisória, dando prazo para a realização da eleição. O prazo venceu, a eleição não foi feita e a executiva nacional nada fez.

Na última eleição para o diretório regional, existia a chapa da situação e um grupo se mobilizou, organizando uma chapa para concorrer. A desfaçatez foi tão grande que os membros da executiva, à época, impugnaram a chapa adversária – impugnaram sem qualquer razão, na cara de pau, para usar a expressão mais popular.

No início de agosto, a 1ª Câmara Cível, em decisão definitiva, anulou a eleição de 2008. Ao anulá-la, o PDT ficou sem diretório e, portanto, sem a executiva eleita pelo diretório, resultado de uma eleição fraudada. O que faz a direção nacional? Nomeia para o Rio de Janeiro uma comissão provisória, composta pelos mesmos membros da executiva que resultou da eleição fraudada do diretório. Quer dizer, há um cinismo, uma cara de pau, uma sem-cerimônia, lamentavelmente, tudo patrocinado por alguém que tenta resgatar sua trajetória pessoal de vida apresentando-se como alguém que veio de baixo, alguém que sofreu na infância e na adolescência, chegando a ser jornaleiro.

Cada um tem a sua trajetória de vida, mas há os que fazem questão de lembrar que têm uma origem humilde, como se isso significasse alguma coisa, confrontando com o procedimento atual. São golpistas, são ditadores que assumiram a legenda com a morte de Brizola e se utilizam de todos os mecanismos para perpetuação na direção partidária.

Desde que Brizola morreu, a direção é a mesma. Quando há, é pequena a variação, incorporando subalternos. Sr. Presidente, no congresso do PDT, essa questão aflorou e vários militantes, alguns com mandato, defenderam a realização de eleições diretas. Primeiro, para a escolha da direção regional para, depois, com uma direção regional legitimada pelo voto dos filiados, organizar o partido nos municípios. É claro que isso não foi votado, não houve interesse. Eles querem se perpetuar na direção do partido, fazendo do PDT um balcão de negócios.

Sr. Presidente, diante dessa matéria publicada na coluna do Cláudio Humberto que sai em vários jornais do País inteiro, vem o Presidente em exercício, o Deputado Federal André Figueiredo, dizer que até o final do ano, até outubro, o PDT realizará nos estados 20 convenções para a eleição dos diretórios. Então, significa que só há sete, já que vai realizar 20.

De qualquer maneira, Sr. Presidente, estamos diante de um quadro extremamente lamentável, porque figuras que se apresentam como respeitáveis, como é o caso do Ministro Carlos Lupi, na verdade se submetem a uma execração interna na legenda que autoritariamente ainda consegue presidir, mesmo estando licenciado.

De qualquer maneira, Sr. Presidente, já há uma reação, já há uma insatisfação. Temos evidências de que, pelo menos aqui no Rio de Janeiro, o PDT se transformou numa legenda de aluguel, num cartório, num balcão de negócios, que vem sendo negociado por três dinheiros, em qualquer esquina, em qualquer município.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

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