quinta-feira, 2 de junho de 2011

CPI teme que CBF esteja sendo usada para venda de terrenos

Criada para investigar a legalidade ou não nas escrituras de compra e venda registradas no Cartório do Nono Ofício, a CPI da Assembléia Legislativa, presidida pelo deputado Paulo Ramos (PDT), tomou nessa quarta-feira os depoimentos do vice-presidente jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, e o do titular do cartório investigado, Adilson Alves.

O representante da CBF entendeu que a CPI presta um grande serviço ao investigar a venda dos terrenos na Barra, onde a entidade acaba de comprar um terreno com mais de 87 mil metros quadrados. No local, funcionará o centro de treinamento da seleção de futebol profissional, um centro administrativo e o Museu do Futebol.

“A CBF não é motivo de investigação. Essa CPI quer saber é se CBF não foi iludida em sua boa fé, comprando um terreno de alguém que possa não ser o titular definitivo. O nosso temor é que, às vésperas da Copa do Mundo, alguém apareça, diga ser o verdadeiro proprietário e interrompa as obras, o que acarretaria um enorme prejuízo não só para a CBF como para o país, que estará no centro das atenções devido ao Mundial”, afirmou Paulo Ramos

Carlos Eugênio revelou que a CBF comprou o terreno por R$ 300 o metro quadrado e que hoje esse metro quadrado já está valendo R$ 1 mil.

“Compramos porque, além de ser um bom negócio, todas as certidões estavam em dia e na presunção de veracidade dos mesmos”, afirmou o dirigente.

Paulo Ramos considerou estranha a valorização repentina do terreno comprado pela CBF:

“O meu medo é que o preço baixo tenha acontecido para que a CBF realmente comprasse o terreno e, com sua legitimidade reconhecida, passasse a ser usada como avalista para a venda de outros terrenos. O pensamento é o seguinte: se a CBF comprou, após se certificar que estava tudo legal, outros investidores ficariam animados a comprar também”, afirmou o deputado.

Muito nervoso, o titular do nono ofício garantiu que todas as escrituras registradas pelo seu cartório foram feitas com base em decisões judiciais, quando havia dúvidas sobre quem seria de fato o proprietário do terreno.

“Ele veio aqui se defender, o que é um direito dele. Mas a CPI já reuniu farta documentação que vai nos revelar a verdade. Sobre as decisões judiciais que ele afirma ter obedecido vamos verificar todas elas.

A confusão jurídica que a CPI investiga começa em dezembro de 1964, quando foi decretada a falência do Banco de Crédito Móvel, que seria o proprietário da maioria dos terrenos na Barra e Recreio dos Bandeirantes.

“Por decisão judicial, os terrenos do BCN só poderiam ser vendidos se houvesse a promessa de compra e venda anterior a liquidação. Há a suspeita que muitas das escrituras foram feitas sem respeitar essa decisão judicial”, afirmou o deputado Paulo Ramos



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