sexta-feira, 5 de novembro de 2010

COMISSÃO PEDE RAPIDEZ EM INVESTIGAÇÃO SOBRE INCÊNDIO EM HOSPITAL

O presidente da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade
Social da Assembleia Legislativa (Alerj), deputado Paulo Ramos (PDT),
cobrou do Ministério Público Estadual (MP) que apure com atenção e
rapidez as causas do incêndio no Hospital Pedro II, em Santa Cruz, e puna
exemplarmente os responsáveis, caso a explosão do transformador da
unidade tenha sido causada por negligência na manutenção predial ou por
um ato criminoso. A cobrança foi feita durante audiência pública
realizada nesta quinta-feira (04/11). “Tudo indica que o incêndio tenha
sido criminoso para proporcionar a municipalização do hospital, realizada
logo após o incidente e sem os servidores trabalhando no local. Já enviei
uma representação ao MP e agora vamos acompanhar de perto as
investigações sobre este incêndio” afirmou Ramos, ressaltando que,
segundo o Sindicato dos Médicos, a unidade faz 60 mil procedimentos por
mês. “De qualquer maneira o fechamento do hospital sem uma definição de
prazo penaliza muito a população. Acredito que o Pedro II poderia
continuar funcionando com as obras sendo feitas” afirmou Ramos.


Segundo o representante da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil,
o subsecretário de Gestão do Trabalho, Sylvio Jorge de Souza, a decisão
de fechar as portas do hospital se baseou em um laudo elaborado dentro da
própria secretaria. “A zona Oeste da cidade do Rio conta hoje com cinco
Unidades de Pronto atendimento (UPAs), que realizam um media de 1.800
atendimentos por dia. Não temos condições de informar se o incêndio foi
criminoso ou não. O que nos temos é um laudo técnico que afirma que onde
ocorreu o incêndio e com menos um transformador, o hospital não teria
energia elétrica para funcionar com a segurança adequada”, explicou o
subsecretário, que prometeu enviar o laudo ao deputado. A subsecretária
de Atenção à Saúde, Hellen Harumi Miyamoto, informou que o governo
pretende transferir alguns médicos do Pedro II para outras unidades da
rede, que precisam de reforço. A decisão, no entanto, caberia a cada
profissional. “O governador Sergio Cabral anunciou que o hospital será
municipalizado. O Albert Schweitzer e o Rocha Faria já estão recebendo
tanto os pacientes como os funcionários do Pedro II”, frisou Hellen.


O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e
Previdência Social no Estado (Sindsprev/RJ) e funcionário do hospital,
Gilberto Mesquita, denunciou que outros dois incêndios já haviam
ocorridos no local e nada teria sido feito pela secretaria. “Alertamos a
direção para falhas na parte elétrica. A parte da emergência está em
perfeito estado de uso devido a duas grandes obras que foram feitas
ultimamente, por isso acho que, apesar de erros, nada explica o hospital
estar fechado”, destacou Mesquita, que informou ainda que a direção do
Pedro II havia proibido sua entrada no hospital, impossibilitando o seu
acesso ao setor de Recursos Humanos, onde iria com a finalidade de saber
para onde será transferido – procedimento que tem sido adotado por todos
os servidores.


A presidente da Junta Interventora do Conselho Regional de Enfermagem do
Rio de janeiro (Coren-RJ) e recém-eleita deputada estadual, enfermeira
Rejane de Almeida (PCdoB), também participou da reunião e reforçou que o
Albert Schweitzer e o Rocha Faria já estavam com emergências
superlotadas. “Estes locais já estavam hiperlotados antes deste
incidente, mas agora, com a transferência de mais paciente, fica
impossível de um profissional de saúde trabalhar. Municipalizar, no meu
entender, significa privatizar, já que os hospitais municipais são
administrados por empresas”, comentou Rejane.


(texto de Ricardo Costa)