quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Lula termina o governo com um percentual elevadíssimo de aprovação popular; Fernando Henrique saiu derrotado pela porta dos fundos.

DISCURSO - PAULO RAMOS

Não posso deixar de tratar neste momento da eleição presidencial, tendo em vista do fato trazido ao nosso conhecimento pelo Deputado Luiz Paulo. Não tenho conhecimento de detalhes da ocorrência narrada pelo Deputado Luiz Paulo, e espero mais esclarecimentos a respeito, porque especialmente no Rio de Janeiro – onde o candidato José Serra foi fragorosamente derrotado no 1º turno – não vejo razão que justifique reação agressiva em relação àquele que não experimentou até aqui resultado tão expressivo em nosso estado. De qualquer maneira, é claro que qualquer agressão é reprovável. Não é possível acolher procedimento dessa natureza. Imagino que esclarecimentos serão prestados.

O candidato José Serra acumulou muita experiência, certamente desde o seu tempo de estudante quando em conflitos, especialmente com as forças da repressão, muitos se violentavam exatamente com o objetivo de criar determinados fatos. Não posso imaginar que, a essa altura da maturidade, possa o candidato José Serra estar assim se comportando para criar uma situação de vitimização. Não posso acreditar.

De qualquer maneira, estamos diante de uma situação muito interessante porque a matriz golpista, que é o sistema Globo, que reproduz frequentemente o procedimento identificado como udenismo, a matriz sempre se agarra aos resultados apresentados pelos órgãos de pesquisa. Sempre. Pega o resultado de uma pesquisa e coloca o candidato de sua preferência no pico da margem de erro para cima e o candidato que combate no pico da sua margem menor. E aí para dizer que há empate técnico. A manipulação é grosseira, embora ocorra com muita frequência.

Mas hoje estamos diante de uma situação inusitada: um instituto de pesquisa rotineiramente invocado exatamente por aqueles que se utilizam desbragadamente de concessões públicas na área da comunicação para manipulação da verdade, para a criação de clima favorável ao seu candidato, o instituto de pesquisa Vox Populi traz um resultado que certamente assustou o candidato José Serra, colocando a ex-ministra Dilma Roussef com mais de cinquenta por cento e com doze, treze pontos à frente do candidato. Eu imagino, para eles que sempre se utilizam dos órgãos de pesquisa para as manipulações, estarem diante de uma situação assim. Porque a reação foi tão truculenta...

Tive a oportunidade de assistir a uma manifestação do presidente nacional do PSDB, Senador Sérgio Guerra. Mas foi uma reação tão despropositada, tão agressiva que eu imaginei: vejam só, dias atrás eles se agarravam a uma pesquisa do Ibope. Surge outro instituto, que segundo eles, em outras oportunidades, tem credibilidade, apresenta um resultado desfavorável, a reação surge de uma maneira até pouco surpreendente.

A entrevista do candidato José Serra, agora sempre acompanhado do nosso Fernando Gabeira, expressava uma tristeza tão grande, um desânimo tão grande que talvez ele próprio conheça não apenas a pesquisa do Vox Populi, mas esteja a par de outros dados levantados pelos institutos de pesquisa com os quais eles mantêm hoje uma identidade maior.

De qualquer maneira, não posso deixar de, mais uma vez, denunciar o sistema Globo de televisão, rádio e jornal porque tenta interferir no processo histórico para afirmar a sua preferência, como já o fez em outras oportunidades, tentando imprimir à História de nosso país outro rumo diferente daquele desejado pela população. Tem sido assim abusivo o uso de concessão pública.

Quando vemos em outros países da América do Sul, principalmente, Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador, presidentes eleitos pela vontade popular, promovendo transformações profundas no modelo econômico, enfrentando quem? Exatamente os meios de comunicação, comprometidos com uma situação que vigorou durante muitos anos e que levou à desgraça a maioria esmagadora da população daqueles países. Qual será a razão da coincidência?

A Presidenta da Argentina enfrenta os meios de comunicação. Está lá, inclusive, a que ponto chegamos, tentando estatizar a empresa que produz o jornal, que produz o papel para o jornal. Apresentou um projeto de lei disciplinando as concessões, acabando com o monopólio, pulverizando o controle.

Na Venezuela, o Presidente Hugo Chávez está lá enfrentando qual o canal de televisão? A Globovision. Será mera coincidência o nome? Todos nós sabemos, na Bolívia, a mesma coisa, no Equador, a mesma coisa. Afinal de contas, assim como em determinado momento histórico praticamente todos os países da América da Sul estavam submetidos a regimes autoritários patrocinados por alguns militares, agora nós vemos vários países da América do Sul num mesmo momento histórico enfrentando os meios de comunicação que se dizem defensores da democracia. Apropriam-se da liberdade de imprensa para a promoção de lucros, porque as empresas de comunicação hoje fazem parte de algumas holdings. Não são apenas conglomerados de comunicação. Estão em todos os ramos, praticamente, da economia. E aí, se apropriam da “liberdade de imprensa”, entre aspas, para a promoção de lucros ou para a coação de setores expressivos da sociedade.

Imaginar, por exemplo, que centenas de intelectuais e artistas subscreveram um manifesto de apoio a Dilma Rousseff e, de repente, o produtor do Tropa de Elite diz que seu nome foi inserido sem que ele tivesse autorizado. E o sistema Globo abre páginas como se o Padilha fosse alguém que pudesse influir significativamente na manifestação popular. Claro que houve um equívoco. Diante de centenas de nomes de muita expressão, qual a razão de se incluir mais um? Mas não. Mas o “sistemão”, a UDN de sempre, transforma um caso muito pequeno e procura dar a ele grandes dimensões.

Existe aquele ditado, todo mundo diz assim: “O povo não é bobo! Abaixo à Rede Globo!” Ou então, outro que diz assim: “É roubo, é roubo, é roubo, é tudo Rede Globo!”

Já em determinadas situações, Deputado Dica, os profissionais da Globo tiveram dificuldades de cumprir... É a nossa Deputada Clarissa Garotinho. Um prazer muito grande. Seja muito bem-vinda, especialmente a partir de 1º de fevereiro. Mas muitas vezes os profissionais da Globo tiveram dificuldades nas ruas de exercer a profissão. Não que eles fossem agredidos como pessoas físicas. Mas parcela da população, não suportando mais as manifestações globais, encontravam como saída a agressão aos funcionários da Globo.

Então, é dizer, claramente e em bom som, primeiro, se a reação em relação à pesquisa Vox Populi foi tão grande é porque nela deve residir alguma verdade.

Imaginar que em uma fase em que caminha para a derrota, poderia o José Serra ser agredido exatamente no Rio de Janeiro é muita surpresa. Parece uma armação que não se compatibiliza com uma disputa, com o procedimento de um candidato à presidência da republica, que, aliás, rotineiramente, é cercado por uma certa multidão, para dar a impressão de que está sendo assediado.

Concedo o aparte ao Deputado Geraldo Moreira.

O SR. GERALDO MOREIRA – Deputado Paulo Ramos, primeiro, quero parabenizar V. Exa. pela brilhante vitória e expressiva votação.

O SR. PAULO RAMOS – Recíproco.

O SR. GERALDO MOREIRA – O povo do Estado do Rio de Janeiro não poderia tomar outra atitude se de fato quer ser justo, teria que, de fato, reconduzi-lo com a votação expressiva. Isso reflete pouco do que V. Exa. tem representado nesta Casa, a nível de defesa dos interesses do povo do Estado do Rio de Janeiro.

Quero dizer a V. Exa. que nós dois, principalmente, viemos de longe nesse processo, de muito longe! Mais uma vez o fascismo, o que há de mais podre neste estado e neste País, se junta e se reúne para manipular e tentar iludir a opinião pública; nisso se inclui todos os setores reacionários e atrasados, encabeçados pela Rede Globo de Televisão. É um absurdo um concessionário do serviço público, que tem o dever de informar, e informar bem, ter atitudes como essa, tentando usar o seu poder de comunicação para desvirtuar os rumos da história.

Hoje, li uma entrevista no jornal O Globo, acho que de ontem, não sei, onde alguém, daqueles que eles contratam, aqueles sábios, aqueles letrados, tem uns desse tipo aí que o Brizola chamava de “almofadinhas”, em uma entrevista, cara dizia que “em uma democracia tem que haver a alternância de poder. Então está na hora de o Lula sair para entrar uma outra corrente para que a democracia se revigore. É salutar para a democracia a alternância de poder.” Com isso defendendo o voto no candidato José Serra. Mas falando de uma forma toda angelical, como se fora um sujeito puro, despojado de pretensão, ou seja, sem nenhuma pretensão a coisa alguma, falando como se fora um grande democrata. Mas ele não diz isso em um debate, principalmente comigo, porque vou dizer para ele: “a alternância do poder começou agora, porque tem 500 anos no Brasil que vem só um lado exercendo o poder neste País. Evidentemente, agora, é que está começando a haver a alternância no poder. A verdadeira alternância no poder é a continuidade do governo Lula e, portanto, o voto em Dilma”.

Muito obrigado.

O SR. PAULO RAMOS – E quando houve alternância de modelo, os fascistas permanentes, V. Exa. adjetiva bem, eles são fascistas. A Central Globo, o Sistema Globo é fascista na verdadeira acepção do termo; levou Getúlio Varas ao suicídio; contribuiu expressivamente e participou do golpe de 64 para derrubar João Goulart; imediatamente após a promulgação da Constituição, trouxe uma figura de Alagoas, criou um partido político e transformou essa figura no arauto da moralidade, “o caçador de marajás”.

O SR. GERALDO MOREIRA – Exatamente. Isso eles não explicam.

O SR. PAULO RAMOS – Eles pensam que podem destruir reputações e que eles podem alavancar reputações. O povo chegou a ser enganado algumas vezes, mas agora o povo já está escaldado. O povo já sabe. Aliás, o Brizola dizia assim: “Se não gosta de CIEPs, alguma coisa tem.” Nós podemos dizer assim: se é apoiado pela Globo, alguma coisa tem. Já não presta. Já é preciso repudiar, porque o Sistema Globo age de má-fé, tem interesses escusos, interesses econômicos, interesse que se distanciam.

O SR. GERALDO MOREIRA – Eles são empregados dos inimigos do Brasil, do povo brasileiro. Eles prestam serviço aos inimigos do Brasil, contra os interesses do povo brasileiro. São empregados dessa gente.

O SR. PAULO RAMOS – Todo mundo já sabe disso e é por isto que o candidato apoiado por esse sistema será derrotado. O povo vai dar a resposta. Mesmo que seja um apoio voluntário ao candidato, o candidato será prejudicado. Mesmo. Mas, como se beneficia; como acolhe; como usa desses instrumentos, acaba com esses instrumentos se confundindo e fazendo parte deles.

Então, quero dizer claro, em alto e bom som: o sistema Globo é um sistema fascista; é um antro de corrupção e, portanto, tem interesses escusos a proteger. E o povo vai virar as costas para eles.

Assim como Fernando Henrique saiu do Palácio do Planalto pela porta dos fundos como vendilhão da pátria e traidor do povo, o seu candidato não será acolhido pela maioria esmagadora do povo brasileiro.

Todos sabem aqui nesta Casa, Deputado Geraldo Moreira, que tenho críticas ao período Lula; fiz várias críticas, várias críticas. O Governo Lula está terminando, mas não há nenhuma dúvida de que há grandes diferenças entre o Governo Lula e o FHC, tanto assim que Lula termina o governo com um percentual elevadíssimo de aprovação popular; Fernando Henrique saiu derrotado pela porta dos fundos.

Mas não queremos retrocesso. A única possibilidade de avanço está hoje na eleição da ex-ministra Dilma Rousseff.

FONTE - ALERJ