domingo, 10 de outubro de 2010

Declaração desastrosa

O novo secretário estadual de Educação do Rio de Janeiro, Wilson Risolia, foi infeliz ao dizer: "até por formação, tenho este vício de pensar a Educação como negócio: estou sendo contratado para levar um negócio a um público e preciso saber se o meu produto é bom, e como o meu receptor, que é o aluno, está recebendo este produto".

Ele confundiu gestão de uma organização com o objetivo final a ser alcançado, o resultado. Se realmente ele quer tratar o seu novo desafio como "negócio", lamento informar que, não vai demorar, ele vai chegar à conclusão que deve detonar o serviço público e privatizar 100% o setor. O business será muito mais lucrativo, e o "negócio", sensacional.

Nada me assusta. Nem mesmo se ele é ou não do setor. Se o novo secretário considera a qualidade do ensino ruim e se tem um planejamento revolucionário de mudança. O governador Sérgio Cabral deve ter um projeto e o delegou ao novo secretário a missão de comprí-lo. Tudo bem.

O que considero lamentável é um gestor não saber a diferença dos princípios que norteiam um serviço público de outro, capitalista, privado, e que objetiva o lucro. Se for essa a meta, desmantelar a máquina, aí tudo passa a fazer sentido.

Eu começo a temer até mesmo pela capacidade gerencial deste gestor. O presidente Fernando Collor apostava num jovem chamado João Santana para revolucionar o Estado brasileiro. Deu no que deu.

Educação precisa ser tocada por educadores. E a gestão por administradores. Fala-se que existiriam empresários privados na sombra como suporte do modelo defendido pelo novo secretário.

Espero, sinceramente, que não tenhamos poder paralelo. Isto é muito perigoso.

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