segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deputado Paulo Ramos recebe produtores rurais

Polêmica das desapropriações longe do fim


Pelo visto, as promessas feitas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin) não foram suficientes para acalmar os ânimos dos produtores rurais do quinto distrito sanjoanense, inconformados com a desapropriação de terras na região para dar lugar ao distrito industrial do complexo logístico do Açu.
No dia 04/08 um grupo 30 produtores fretou um ônibus e foi ao Rio em busca de apoio. Na Alerj, recebidos pelo deputado Paulo Ramos (PDT), os proprietários de terras conseguiram a realização de audiência pública na Câmara de São João da Barra, em data a ser confirmada. Ontem mesmo o deputado protocolou projeto de decreto legislativo revogando dois decretos do governo estadual referentes à alteração dos limites da área e de concessão de utilidade pública para fins de desapropriação, que tiveram respaldo na lei municipal de macrozoneamento. “Eu entendo que estamos diante de muitas ilegalidades, os interesses econômicos estão prevalecendo em detrimento dos interesses da população”, argumentou Paulo Ramos.
O grupo, liderado pelo vereador pedetista Franquis Areas — que viajou representando o G-5, bancada majoritária de oposição no município —, voltou da capital animado. E não descartou a possibilidade de novas manifestações, como a que fechou um trecho da BR 356 no início do mês passado, para mostrar que há produtores que não querem ser removidos ou reassentados.
Por enquanto, a polêmica, contada parece estar longe do final feliz. Na semana passada, a prefeita Carla Machado (PMDB) reuniu-se com o governador e com dirigentes da Codin para tratar de assuntos relacionados ao porto do Açu. Ouviu da Codin duas promessas: que vai ser instalado um escritório no município para negociar, caso a caso, a situação dos produtores e que o projeto de reassentamento será modelo para o Brasil, oferecendo aos produtores rurais escola, creche, praça, centro comercial, além de máquinas e equipamentos agrícolas e assistência técnica.
Para Franquis, isso não basta. “O problema é quando envolve grandes propriedades de terras, a negociação dos investidores é direto com os produtores, mas para os pequenos é imposta a desapropriação. Não se trata só do valor comercial da terras, mas do valor sentimental, cultural, que não estão levando em conta. Tem gente que não quer deixar o lugar onde morou a vida toda. O progresso é bem vindo, mas não pode chegar atropelando esses valores”, defende o vereador, que alfinetou a promessa da Codin: “Essa conversa de instalar escritório em São João da Barra vem sendo feita desde o ano passado e até agora, de concreto, nada”.
Tudo indica que a história vai mesmo render. E só o tempo vai dizer se vão conseguir fazer a omelete sem quebrar os ovos.

Folha da Manhã

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