quinta-feira, 24 de junho de 2010

CPI PODE PEDIR À CORREGEDORIA QUE INVESTIGUE DELEGADO TITULAR DA DRACO

Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) criada para investigar denúncias de tráfico de influência e venda de sentenças judiciais, o deputado Paulo Ramos (PDT) afirmou, nesta quinta-feira (24/06), que poderá solicitar à Corregedoria da Polícia Civil que investigue a conduta do delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), Cláudio Ferraz. De acordo com o deputado, os depoimentos colhidos pela comissão apontam para a má condução de um inquérito envolvendo denúncias de grilagem de terra em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, zona Oeste do Rio, onde são citados alguns dos envolvidos nas investigações do colegiado. “Neste caso, em que vários moradores foram indiciados e sequer ouvidos durante o inquérito, o delegado Cláudio Ferraz não pode ter agido de boa fé. Foi uma investigação no mínimo inepta. Ou ele é despreparado, ou foi cooptado”, disse Ramos.

O deputado afirmou que pretende convocar novamente o delegado, que chegou a ser ouvido pela CPI no dia 27 de maio. Segundo o pedetista, a condução do inquérito aponta inclusive para a suspeição da denúncia encaminhada pelo Ministério Público. “O MP incriminou pessoas, as acusou de crime ambiental, quando no entorno do citado condomínio existem diversas construções, inclusive de órgãos públicos, como já foi relatado à CPI”, garante Ramos. Para o parlamentar, a especulação imobiliária na localidade poderia ser a motivação dos fatos investigados pela CPI. “Temos conhecimento do interesse da construtora Vrobel, que está lançando um outro condomínio de mais de 400 lotes ao lado do Planícies do Recreio, naquela região”, ponderou. A informação foi corroborada pelas declarações dos depoentes ouvidos nesta quinta-feira. Morador do condomínio investigado, Benjamin Casper disse ter acesso a documentos que comprovam o interesse da construtora no local. Ele afirmou ter sido citado como testemunha no inquérito da Draco, mas garantiu que nunca foi ouvido pelo delegado. “Inclusive, no inquérito consta que sofri ameaças e constrangimentos por parte do proprietário anterior do terreno, o que nunca aconteceu”, disse ele.

Também moradora do local, Telma Antonieta Costa afirmou que existe, a 500 metros do Planície do Recreio, um aterro que consta como autorizado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). “Como, então, só nós estamos sendo acusados de crime ambiental? Este aterro, inclusive, vem trazendo vários transtornos ao condomínio, problemas que nunca aconteceram antes”, acrescentou. Segundo ela, os lotes do empreendimento da Vrobel estão sendo vendidos por R$ 302 mil. Outro depoente, Sidney Siqueira Giordi afirmou que também nunca foi ouvido no inquérito da Draco. Giordi, que construiu a casa onde mora no condomínio, alegou que “nunca pensou que pudesse estar cometendo crime ambiental, já que várias outras construções, inclusive ligadas a órgãos públicos, existem no entorno da localidade”. “Documentos da Prefeitura comprovam que esta não é uma área de proteção ambiental. Trabalhei por 37 anos, tudo o que tenho na vida está naquela casa. E estamos sendo acusados de grilagem”, lamentou.

Quem tiver conhecimento de qualquer negociação ou venda de decisões judiciais, tais como extorsão e práticas ilícitas, que possam ajudar a comissão a colher resultados deve entrar em contato com a CPI através do número 0800 282 5888. O serviço funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h.

Fonte: Comunicação Social da Alerj

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