terça-feira, 1 de junho de 2010

31/05/2010 - Deputado quer que Ministério do Trabalho fiscalize uso de Pesticida

O presidente da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Paulo Ramos (PDT), pretende entrar com uma representação no Ministério do Trabalho, para que haja uma fiscalização quanto ao perigo de saúde vivido por servidores que lidam com o combate a endemias em todo o estado. “É um verdadeiro desrespeito o que vem passando esses trabalhadores que têm contato direto com os produtos tóxicos usados, principalmente, no combate à dengue. Eles estão sendo usados como cobaias desses produtos e isso tem provocado diversas patologias nessas pessoas”, frisou o pedetista, durante audiência pública nessa segunda-feira (31/05). “É elementar que a liberação do uso de qualquer produto químico pelo ser humano seja submetida a uma rigorosa pesquisa, para que, assim, as necessidades de segurança sejam definidas”, finalizou.


Ouça o deputado Paulo Ramos, fonte da Alerj: http://www.radiopauloramos.net/31-05-2010-deputado_paulo_ramos_diz_que_faltam_equipamentosde_protecao_para_profissionais_de_controle_de_endemias.php


O representante do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social do estado (Sindsprev-RJ), Gilmar Cabral, servidor da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), ressaltou o desconforto que o mais novo aliado no combate ao mosquito aedes aegypt, o pesticida diflubenzuron, está causando. “A categoria está sendo extremamente prejudicada pela contaminação em virtude do uso desse material. O produto é muito forte e está causando reações como dor de cabeça, ardência nos olhos e coceira. O novo produto foi escolhido pelo Ministério da Saúde por causa de sua ação mais duradoura, cerca de dois a três meses, não tivemos qualquer treinamento para saber como deve ser o uso do pesticida”, afirmou Cabral, denunciando ainda que os servidores estão exercendo as funções sem o uso dos equipamentos de proteção individual.

Segundo Marcelo Monteiro, servidor da Funasa lotado em São Gonçalo, os profissionais não sabem de quem cobrar explicações. “Nosso contracheque é assinado pela Funasa, que nos cede ao estado, que nos repassa aos municípios, e, por isso, quando queremos cobrar nossos direitos, não sabemos a quem nos dirigir. Nossa saúde tem de ser primordial. É comum termos notícias de ex-funcionários que morrem, pois as doenças causadas por infecção de produtos químicos, na sua maioria, demoram anos para serem percebidas. Queremos exigir do Governo do estado que tenhamos atendimento médico periódico”, reclamou. O coordenador regional da Funasa no Rio, Marco Mufarrej, respondeu que o cuidado com a saúde dos profissionais da instituição é responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil.

Antes do término da audiência, o deputado Paulo Ramos falou sobre outra situação envolvendo o uso do diflubenzuron. “Tomamos conhecimento ainda que a dosagem deste produto que deve ser diluída na água das caixas de água pode estar sendo utilizada em excesso, ou seja, ao invés de prevenir, também pode estar contaminando a população, já que não há uma pesquisa aprofundada do que este produto pode causar ao ser humano”, ressaltou. O pedetista disse que o assunto merece uma nova reunião, que será marcada e deverá contar com representantes dos governos federal e estadual e das prefeituras. “A situação é difusa. Temos que descobrir quem é o responsável afinal pela saúde desses profissionais, que são de suma importância para o estado e estão sem cuidado algum”, finalizou.
(Texto de Ricardo Costa)




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