segunda-feira, 14 de junho de 2010

14/06/2010 - FUNCIONÁRIO MORRE APÓS QUEDA

12 – ODIA – Rio de Janeiro - segunda-feira, 14/06/10

FUNCIONÁRIO MORRE APÓS QUEDA

Laudo do IML desmente versão de diretor de hospital na Barra sobre impactos no organismo do auxiliar de eletricista

NATALIA VONKORSCH
natalia.korsh@odianet.com.br


O auxiliar de eletricista Paulo Roberto Nunes, 67 anos, morreu neste sábado, uma semana depois de cair de altura de cerca de três metros enquanto consertava chapa de aço na cobertura do Hospital São Bernardo, na Barra da Tijuca. Ele estava internado no mesmo local, em estado grave, desde o acidente.

Laudo do IML atesta que Paulo sofreu ‘traumatismo fechado de cabeça e tronco com fratura de crânio com hemorragia das meninges, contusão do fígado, baço e estômago e consequente pneumonia’. O documento desmente a versão dada na última sexta-feira pelo diretor médico do hospital, Abel Magalhães. Na ocasião, ele disse que, após diversos exames, foi constatada apenas uma pequena fratura na cabeça, indicando que Paulo poderia ter caído de sua própria altura.

"Examinando o paciente, a gente não encontra fraturas pelo corpo de alguém que caiu de um andar para o outro. A lesão que a tomografia mostra é uma fratura pequena atrás da cabeça, coisa que pode acontecer quando a pessoa cai da própria altura. E ele tem uma ruptura de um aneurisma gigante no meio do cérebro”, detalhou Abel. Ontem, procurado novamente, o diretor não quis comentar o laudo do IML.
O corpo do auxiliar de eletricista foi enterrado na tarde de ontem, no Cemitério de Campo Grande. Revoltados, familiares de Paulo garantiram que vão brigar na Justiça contra o hospital. "Ele trabalhava lá há oito anos e nunca recebeu um equipamento de segurança.

Não tinha capacete ou luva. A queda foi irresponsabilidade do hospital, que não deu condições de trabalho aum funcionário. E, depois do acidente, ainda não tiveram respeito por ele ou pela família, tentando esconder o que realmente aconteceu por meio de alteração nos exames”, acusa Jorge Roberto Barbosa Nunes, 37, filho de Paulo.

VIVA VOZ

JORGE ROBERTO NUNES
filho de Pauto
“Ete trabalhava lá há 8 anos
e nunca teve equipamento de
segurança. Não recebeu
capacete ou luva. A queda
foi irresponsabilidade do hospital"

Jorge Roberto mostra laudo que revela as causas da morte de seu pai


Alerj investiga histórico da clínica


> O deputado Paulo Ramos, presidente da Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), disse que vai apurar se outros fatos semelhantes já aconteceram no hospital. Segundo ele, a clínica pode sofrer sanções administrativas caso fique provado que a empresa não garante a segurança de seus empregados. A Comissão de Trabalho da Alerj prometeu na sexta-feira enviar uma representação ao Ministério Público para que o órgão também apure o ocorrido.

O caso também foi registrado na 16ª DP (Barra da Tijuca), que investiga denúncia de negligência do hospital.

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