quinta-feira, 10 de junho de 2010

10/06/2010 - Agentes de saúde sem proteção "Funcionários que atuam no combate à dengue denunciam que falta de luvas e máscaras os expõe a intoxicação.




ODIA-RJ Pág.:31 10/06/2010 1/1

Saúde

Agentes de saúde sem proteção
Funcionários que atuam no combate à dengue denunciam que falta de luvas e máscaras os expõe a intoxicação. Vários já estão doentes


PÂMELA OLIVEIRA
pamela.oliveira@odianet.com.br


A falta de luvas, máscaras e outros materiais de prote­ção está expondo os agentes de endemia que atuam no comba­te à dengue a doenças. Dores de cabeça frequentes, falta de ar, enjoo, ardência no rosto, di­ficuldade para dormir e proble­mas de pele são alguns dos sin­tomas que os profissionais apresentam após o manuseio dos produtos químicos usados para evitar a proliferação do mosquito causador da dengue.
"Recebemos o inseticida em pó. Mas para que seja usado nas casas, ele tem que ser diluí­do em 1 litro de água. Quando fazemos essa mistura, o rosto queima tanto que é preciso jo­gar água gelada para diminuir a queimação. Os sintomas são imediatos”, diz o agente de en­demia Gilmar Cabral, 47, que atua em Duque de Caxias.
Os efeitos agudos não são os piores, afirmam eles. "Traba­lho na Funasa desde 1988. E de­senvolvi uma doença rara que faz com que meu fígado acu­mule cobre. E está necrosan­do. Tenho uma dieta muito res­trita e tomo vários remédios. Segundo minha médica, essa doença pode ser desencadea­da pelo contato com insetici­da”, conta o agente Leonie Sil­va Gabriel, 47, que, devido à doença, está proibido de traba­lhar com produtos químicos.
Raimundo Martins, 47, que atua em São Gonçalo, conta que o risco é maior devido àfal­ta de estrutura nos lugares em que os agentes manipulam os produtos químicos.


Deputado quer que agentes façam exames periódicos para
verificar se há intoxicação pelos produtos químicos


“Trabalhamos em locais ce­didos. Geralmente é uma sali­nha que um posto não usa ou um cubículo de uma igreja. Muitas vezes, o produto vaza, molhando nossas mãos ou rou­pa e não temos sequer lugar pa­ra lavar as mãos ou tomar um banho para diminuir o risco de contaminação", conta ele. "Quando conseguimos luvas, não podemos usar porque são finas e rasgam com facilidade. As máscaras não evitam a ar­dência porque são as piores”.

Presidente da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Alerj, o deputado Paulo Ramos (PDT) afirmou que vai entrar com uma representação no Minis­tério do Trabalho. "É um des­respeito o que está acontecen­do com esses trabalhadores. Esses profissionais lidam com produtos tóxicos e deveriam ser submetidos a exames perió­dicos para verificar a possibili­dade de contaminação. Vou oficiar o Ministério da Saúde, a Funasa e a Secretaria esta­dual de Saúde para que expli­quem a falta de material de proteção e também a falta de exames", disse Paulo Ramos, que participou de audiência pública sobre o tema.
Segundo a secretaria esta­dual de Saúde, os trabalhado­res que atuam pelo estado usam a proteção necessária. O órgão afirma que, no caso dos agentes cedidos aos municí­pios, a responsabilidade de for­necer o material protetor é dos municípios. O estado afirmou, no entando, que abriu licita­ção para comprar o material.

Raimundo diz que a luva é fina e que a máscara não evita a queimação


Sem estudos sobre riscos

> A falta de estudos sobre a ação dos produtos usados para acabar com os focos de dengue na saúde dos traba­lhadores é preocupante.
"Estamos usando o Diflu­benzuron e não recebemos treinamento. Muitos dos produtos que usamos são proibidos em outros países", diz Raimundo Martins.
Paulo Ramos defende que sejam feitas pesqui­sas."É elementar que a libe­ração do uso de qualquer produto químico pelo ser humano seja submetida a uma rigorosa pesquisa para que as necessidades de segu­rança sejam definidas”.
O estado está fazendo um estudo para definir um pro­tocolo de monitoramento da saúde dos profissionais.

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