segunda-feira, 31 de maio de 2010

28/04/2010 - "De vítimas serão transformados em baderneiros", diz deputado Paulo Ramos sobre camelôs da Central.

De vítimas serão transformados em baderneiros", diz deputado Paulo Ramos sobre camelôs da Central.

"Era de se imaginar que a Secretaria de Estado de Ação Social se reunisse com as pessoas prejudicadas, mas não. Ela manda um trator"

O deputado Paulo Ramos, líder do PDT na alerj, cobrou medidas imediatas para resolver a situação dos pequenos comerciantes que trabalhavam no camelódromo da Central do Brasil, destruído por um incêncio. Ramos criticou a postura do governo que, ao invés de assistir as vítimas, se preocupou apenas em iniciar imediatamente a limpeza geral do local. O líder do PDT suspeita que possa estar sendo programada mais uma privatização do patrimônio público. "Ao que tudo indica, assim como o Terminal Menezes Cortes, assim como as estradas que agora estão sendo pedagiadas, com um grau razoável de certeza o Estado construirá ali alguma coisa para entregar ao controle dos espertalhões de sempre, dos cúmplices de sempre, com o que não podemos concordar", disse.

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, Srs. Deputados, assomo à tribuna, assim como o fiz ontem, para tratar de uma questão que me proporcionou, hoje, uma surpresa adicional muito desagradável: o incêndio no camelódromo da Central do Brasil.

A priori, o incêndio foi considerado acidental, não criminoso. Mas, qualquer que tenha sido a motivação, razoável seria esperar dos governantes ou de seus representantes que houvesse a manifestação de preocupação com as vítimas. Não houve pessoas vitimadas, mas perdas materiais e de muitos postos de trabalho. Era de se imaginar que os governantes se reunissem no desespero dos prejudicados, de modo a debater alternativas para socorrer aquelas pessoas.

Tracei ontem um paralelo, Deputado Sabino, com as vítimas dos desmoronamentos no Estado do Rio as quais agora, além de terem sido vitimadas, se preocupam com o açodamento de alguns governantes no sentido da remoção: quem está em área de risco, vai ser removido. Sem que haja uma ação responsável, precedida de reuniões com as representações, comunidade por comunidade. Quantas habitações são necessárias? Quais os riscos verdadeiros em cada comunidade? Isso para que as pessoas sejam realocadas, na perspectiva do direito à moradia, com segurança, sem que sejam transferidas para localidades distantes que venham a inviabilizar as suas atividades laborais ou a sua própria vida comunitária.

Assim é com o incêndio da Central. Quero dizer que imediatamente após o incêndio, no mesmo dia ou no dia seguinte, as vítimas ainda em torno do local assistiram revoltadas à chegada dos tratores para a limpeza geral do local.

Mas o que me assustou, Sr. Presidente, se não me engano foi o publicado no Jornal Extra. Já tem uma maquete daquilo que eles pretendem fazer naquele local, sem qualquer respeito às pessoas.

Não sei. Nós tivemos uma fase aqui no Estado, a fase das privatizações, e todo mundo sabe o que foi feito aqui com o Terminal Menezes Cortes. Mas lá, segundo tomamos conhecimento, o espaço estava alugado pela Coderte, o que restou aqui dos terminais do Estado. E a Emop, Empresa de Obras Públicas, através do seu presidente, manda para lá os tratores.

Era de se imaginar que a Secretaria de Estado de Ação Social se reunisse com as pessoas prejudicadas, mas não. Ela manda um trator.

Então agora tomei conhecimento que já estão aqui na Assembleia Legislativa os representantes dos prejudicados que vêm buscar auxílio nesta Casa para que, além do incêndio, ainda não sejam considerados criminosos. Porque inicialmente são atropelados pelos tratores... E, se porventura se mobilizarem para resistir, receberão a tropa de choque. De vítimas serão transformados em baderneiros, em criminosos.

E ainda falam em direitos humanos. Não sei qual a concepção que o governador e o prefeito têm. No caso, é o governador, qual a concepção que tem sobre direitos humanos. Se direito ao trabalho não é um direito humano; se o direito a preservar locais de trabalho não é um direito humano, pois ali as pessoas não estavam clandestinamente. Havia uma organização. Não era algo organizado fazendo bem aos olhos. O poder público poderia ter interferido ali com muito mais antecedência exatamente para embelezar o local, dando-lhes condições de trabalho com segurança, porque diante da velocidade com que determinadas providências estão sendo tomadas, eu deixo de acreditar que tenha sido um incêndio por causas que não tenham sido causas criminosas. Já estou convencido de que o incêndio foi deliberado, exatamente para fazer com que as pessoas rapidamente deixassem aquele local.

De qualquer maneira, Sr. Presidente, as coisas ainda não estão consumadas, só o incêndio, as perdas materiais, o desespero, tudo isso está consumado. Mas as pessoas continuam vivas e dispostas a lutar por aquilo que é um direito, contando naturalmente, acredito eu, com a solidariedade de muitos parlamentares desta Casa. Vamos ver se o governo do Estado pelo menos assume aquele mínimo necessário de humanidade para dar atenção às pessoas que a partir daquele camelódromo tiravam o sustento para suas famílias.

Vamos esperar. Que fique aqui esta manifestação e a certeza de que mobilizando alguns parlamentares possamos reverter esse quadro, socorrendo as verdadeiras vítimas, porque, ao que tudo indica, assim como o Terminal Menezes Cortes, assim como as estradas que agora estão sendo pedagiadas, com um grau razoável de certeza o Estado construirá ali alguma coisa para entregar ao controle dos espertalhões de sempre, dos cúmplices de sempre, com o que não podemos concordar.

Sr. Presidente, fica aqui a minha manifestação não tanto de indignação, mas a minha manifestação sofrida de ver o desespero daqueles que durante algum tempo não terão a oportunidade de levar honestamente, através do trabalho, o sustento para suas famílias. Muito obrigado.

Fonte - ALERJ

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