segunda-feira, 31 de maio de 2010

27/04/2010 - Deputado Paulo Ramos defende prefeito Jorge Roberto Silveira no plenário da Alerj

líder do PDT questionou duramente as críticas feitas pelo PT

O deputado Paulo Ramos, líder do PDT na Alerj, defendeu o prefeito de Niterói, Jorge Robeto Silveira, das críticas que representantes do PT têm feito após a tragédia das chuvas. Ramos questionou duramente "parlamentares que se supõem representantes da população de determinado município"; e interrogou sobre quantas casas populares teriam sido construídas pelo governo Lula em áreas de risco. O deputado lembrou que Jorge Roberto transformou Niterói no quarto município em qualidade de vida no país. Leia o pronunciamento feito no debate no plenário (27/4).

O SR. PAULO RAMOS (Pela ordem) - Sr. Presidente, tenho visto Parlamentares que se supõem representantes da população de determinado município, no caso, Niterói, tratar da tragédia que aconteceu exclusivamente naquele local. Sabemos que em todo o Estado do Rio de Janeiro e em todo o Brasil há milhões de famílias morando em áreas de risco em face da inexistência de uma política habitacional que consagre o direito à moradia. Seria extremamente conveniente que, em vez de ser uma política por amostragem, contemplando um pequeno número de famílias com a compra da casa - é preciso dizer isso -, com a compra da casa. Não é com a cessão, com a doação da casa. Dizem assim: “Mas é uma mensalidade subsidiada; vão pagar 50 reais por mês durante x anos, ou durante a enternidade”. Mas é preciso dizer que é por amostragem. O número é imensamente maior do que aquilo que, na hora da desgraça e da tragédia, aparentemente é feito.

Seria interessante que os representantes aqui, principalmente do Partido dos Trabalhadores dissessem, em oito anos de Governo Lula - que vai se completar agora no dia 31 de dezembro -, quantas casas populares foram construídas, quantas comunidades que vivem em áreas de risco foram retiradas de tais áreas e moram com dignidade! Não apenas quantas habitações foram feitas pelo Governo Federal e quantas foram construídas pelo Governo Estadual, onde o Partido dos Trabalhadores tem cinco ou seis secretarias!

Agora, imaginar ser possível satanizar o Prefeito de Niterói como uma espécie de vingança torpe, porque lá em Niterói eles surfaram na onda ou no sucesso das administrações do PDT: Jorge Roberto Silveira e João Sampaio. Não apenas surfaram como foram sempre derrotados. E só chegaram ao poder quando se aliaram ao nosso Prefeito. E mais: se aliaram, chegaram à Prefeitura primeiramente com o Godofredo, como vice que assumiu o Governo, e depois com o Godofredo eleito, seis anos e oito meses à frente do Governo de Niterói.

Portanto, Sr. Presidente, pegar o momento da desgraça para vir com respostas por amostragem sem uma investigação sobre os últimos oito anos da vida do povo brasileiro na questão habitacional é que seria um comportamento mais consequente, mais responsável.

É preciso dizer que as políticas públicas voltadas às reformas necessárias não foram realizadas. Não foi feita a reforma agrária com uma política agrícola voltada à produção de alimentos para acabar com a fome. A fome ainda é o principal problema do nosso País.

Não foi feita uma reforma urbana, não há uma política habitacional voltada à realização do direito à moradia. E vir agora com essa conversa de que em Niterói ainda não fizeram a relação disso ou daquilo. E no Rio de Janeiro? E nos demais municípios? E na Baixada Fluminense? E em Petrópolis? E em Teresópolis? E em Angra dos Reis? Afinal de contas, a tragédia vivida pelas populações que habitam as áreas de risco é uma tragédia permanente que se agudiza quando há o deslizamento. Mas todas vivem completamente sobressaltadas.

Então, que pelo menos os integrantes do Partido dos Trabalhadores, e até quem agora não é mais do Partido dos Trabalhadores por pertencer a outro partido, mas que antes da criação do partido político a que pertence integrava o Partido dos Trabalhadores, onde vivia surfando no sucesso do Jorge Roberto Silveira, mas agora não. Agora eles são a oposição da conveniência. Estão no Governo Federal, elogiam o Governo Federal; estão no Governo Estadual, elogiam o Governo Estadual. Mas a disputa eleitoral em Niterói faz com que eles se restrinjam àquela cidade.

Jorge Roberto Silveira transformou Niterói na quarta cidade do País – apesar de toda a tragédia vivida pela população – em qualidade de vida. E olha que não foi a Prefeitura de Niterói que fez o levantamento, o estudo. Não foi.

Aliás, por ser um governo do PDT, trouxe profissionais de Cuba para o Programa Médico de Família, realizou programas sociais, os mais extensos, mesmo com problemas.

Os problemas vividos pela população não decorrem, em Niterói, da omissão do Prefeito. Os problemas vividos pela população de Niterói são os vividos pelo povo brasileiro porque o modelo, como diziam na época da ditadura, é desnacionalizante. Está aí o pré-sal, estão aí os leilões de nossas bacias sedimentares, as privatizações as mais desbragadas. É desnacionalizante o pagamento da dívida. Vai se concluir oito anos de governo. Serão pagos dois trilhões, só de juros da dívida, em oito anos. É um modelo desnacionalizante, exportador, concentrador de renda, corrupto e repressor – aliás, muito corrupto.

Não existe essa conversa de dizer: “Mas agora as coisas são denunciadas, agora as coisas aparecem.” Na época da ditadura ficava tudo: “Não, não é verdade.” Na época da ditadura havia muita denúncia de corrupção. O modelo é o mesmo, a repressão se dá de outra forma. Esse diversionismo, essa tentativa de ocultar a verdade, tentando satanizar o Prefeito de Niterói, demonstra a índole fascista com que eles se comportaram ao longo desses anos todos, chegando a enganar a maioria da população.

De qualquer maneira, Sr. Presidente, em Niterói, com toda a tragédia – somos solidários –, entendemos que as responsabilidades devem ser apuradas. Mas o denuncismo, ainda mais da parte de quem não tem autoridade para fazê-lo, demonstra a face de algo que nós imaginávamos estar superando com o processo democrático. Desgraçadamente não está.


Fonte - ALERJ

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