segunda-feira, 31 de maio de 2010

08/04/2010 - Evento para Presidentes de Tribunais Eleitorais foi pago pela LIESA

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, afirmou que o evento realizado em agosto de 2009 na Cidade do Samba, Centro do Rio, para presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) foi pago pela Liesa. A afirmação foi feita à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Rio criada para investigar denúncias de tráfico de influência e venda de sentenças judiciais no processo eleitoral em reunião nesta quinta-feira (08/04). Castanheira disse que o coquetel custou R$ 5,4 mil, que um dos objetivos era divulgar as atividades da Liesa e que o evento já foi oferecido a diversas autoridades e órgãos. Para o presidente da CPI, deputado Paulo Ramos (PDT), a direção do tribunal em 2009 errou ao aceitar o coquetel da Liga. “Isto poderia criar uma situação inaceitável e gerar cumplicidades e intimidades que não podem ser acolhidas se o TRE busca se apresentar como o grande eixo democrático de condução dos pleitos eleitorais”, frisou o parlamentar.

(Sonora do deputado Paulo Ramos (PDT): http://alerj.posterous.com/deputado-paulo-ramos-pdt-comenta-depoimento-d-1)

Castanheira, acompanhado pelo diretor jurídico da Liesa, Nelson de Almeida, entregou a cópia da nota fiscal do coquetel à CPI e disse que o ofício do tribunal recebido por ele pedia uma visita ao local para encerramento de um encontro de presidentes de TREs no País. “A princípio, o pedido era para um evento para 150 pessoas. Com isso, contabilizamos, para o coquetel, cerca de R$ 36 por pessoa, mas, na hora, só comparecerem 40. O evento foi pequeno e não houve nada de irregular. A Liesa também tem o objetivo de divulgar o trabalho e a tradição do carnaval”, afirmou o presidente da entidade sem fins lucrativos, acrescentando que a maioria das visitas onde são oferecidos coquetéis é paga pela Liga. De acordo com Castanheira, as matérias divulgadas na época causaram surpresa. “Bicho é uma coisa e a Liga é outra. Hoje a Liesa tem 26 anos de trabalho para o carnaval e a figura jurídica da instituição não tem nenhuma ligação com jogo do bicho. Nossa administração é independente e os cargos de diretores, que são voluntários, são definidos em eleições”, frisou o depoente.

“A Liesa, reconhecidamente, tem vinculações profundas com figuras ligadas ao crime organizado a partir do jogo do bicho e é inaceitável, diante de qualquer avaliação ética, uma relação da entidade com o poder público, porque tudo tem desdobramento”, reforçou o presidente da CPI, que teve seu discurso endossado pelo vice-presidente da comissão, deputado Luiz Paulo (PSDB). “Não era para aceitar o coquetel, pois eles deveriam ter pagado por ele. Este comportamento da direção do tribunal não foi correto. Também é preciso parecer honesto e não apenas ser”, frisou o tucano. “Estamos apurando a negociação de sentenças do TRE à época e isso tudo é um imbróglio que precisa ser desvendado, porque, caso contrário, você macula o processo eletivo, comprometendo a democracia. Precisamos fazer uma conexão muito segura da atuação do empresário Eduardo Raschkovsky em relação aos dois presidentes que ocuparam o TRE à época: Roberto Wider e Alberto Motta Moraes”, destacou Luiz Paulo.

(Sonora do deputado Luiz Paulo (PSDB): http://alerj.posterous.com/deputado-luiz-paulo-psdb-fala-sobre-relacao-e)

Durante a reunião também esteve presente o relator da CPI, deputado André Corrêa (PPS), que pediu a colaboração do vice Luiz Paulo no relatório específico sobre o TRE. Quem tiver conhecimento de qualquer negociação ou venda de decisões judiciais, tais como extorsão e práticas ilícitas, que possam ajudar a comissão a colher resultados deve entrar em contato com a CPI através do número 0800 282 5888. O serviço funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h.(Texto de Marcela Maciel)

(Fonte: Comunicação Social da Alerj)

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