segunda-feira, 31 de maio de 2010

04/05/2010 - DEPUTADO QUER INFORMAÇÕES SOBRE UNIVERSIDADES PARTICULARES NO ESTADO

O presidente da Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Paulo Ramos (PDT), enviará ao Ministério da Educação (MEC) um ofício com questionamentos sobre o ensino superior privado no Estado do Rio de Janeiro. Dentre as denúncias apresentadas por representantes de sindicatos de professores, em audiência pública realizada nesta segunda-feira (03/05), estão: atraso salarial, paralisação no depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), falta de plano de carreira para o corpo docente e avanço no processo de mercantilização do ensino superior. “Acredito que estamos avançando na discussão do ensino superior privado. Mas é preciso fazer algumas perguntas. É possível preservar um setor importante da educação submetido à lógica do mercado? O lucro e o resultado financeiro são mais importantes? Como fica a qualidade da educação? E a formação dos profissionais da educação? Esses são os nossos desafios”, acredita o pedetista.

Ouça a entrevista do deputado Paulo Ramos (PDT): http://alerj.posterous.com/deputado-paulo-ramos-fala-sobre-ensino-superi

Ramos anunciou ainda que a crise na educação superior continuará sendo tema dos próximos encontros da comissão: “por isso, com o tempo e com a realização desses encontros, vamos assumir uma compreensão maior sobre o tema, como também descobrir qual é o papel do MEC nesse assunto”. Os representantes do Sindicato dos Professores do Rio de Janeiro (Sinpro-RJ) quiseram saber do Ministério da Educação sobre a falta de resposta em relação a dois dossiês enviados pelo Sinpro apontando problemas específicos nas faculdades Estácio de Sá e UniverCidade. Além disso, externaram seu descontentamento com o rumo que as instituições de ensino privadas estão tomando. “Na última década, elas vêm se caracterizando pelo descumprimento de obrigações mínimas, como a educacional, com a inexistência de conselhos universitários democráticos, e a trabalhista. Hoje, atrasos salariais e redução de carga horária são rotina”, comentou a diretora do sindicato, Magda Corrêa.

O representante do Ministério da Educação, professor Paulo César Santana não soube responder os questionamentos feitos durante o encontro, mas garantiu que tanto o ofício enviado pela comissão como os documentos encaminhados pelo sindicato serão analisados e respondidos. “Somos uma representação estadual do ministério e temos, portanto, as ações bastante limitadas. Agimos apenas como um braço do poder federal. Estamos recolhendo as reclamações e vamos repassar ao ministério, mas sabemos que o ministro (Fernando Haddad) vem atuando com a mão pesada sobre estas irregularidades”, disse Santana. Já o gestor responsável pela Universidade Estácio de Sá, Carlos Valvando, defendeu sua instituição e afirmou que a legislação trabalhista sempre foi cumprida. “A situação do professor é diferente de um trabalhador comum. Temos quatro mil professores empregados na Estácio, sendo que metade deles não é exclusiva da universidade. Vários desses professores não têm interesse em uma carga horária completa, porque possuem outros empregos, seja em outras faculdades ou em empresas que não são de ensino”, explicou Valvando.

O gestor deu ainda como exemplo a pequena procura de candidatos pelo curso de Fisioterapia para explicar a baixa carga horária de alguns professores. “Em 2002, esse curso tinha 14.300 alunos e, em 2009, a procura não ultrapassou os 3.300 alunos”, concluiu. Também estiveram presentes alunos e professores da Universidade Iguaçu (Unig) e membros da Sociedade Unificada de Ensino Superior e Cultura (Suesc).

Nenhum comentário:

Postar um comentário